quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Como prevenir naufrágios


Eu sou o imerso
no teu profundo,
o mistério de tuas ondas
embaralhadas.
Sou eu quem abraça 
tuas águas,
atraco em tua fúria tão clara
e descanso em tua mansidão oculta,
tomo fôlego.
Um dia pesco teus olhos aguados
e me entrego ao teu balanço torto,
tiro a areia dos pés,
tomo um banho de ti.








foto-imagem : Anike Lamoso.


domingo, 24 de novembro de 2013

A incompreensão do silêncio


Ele retrucou sussurrando
no ouvido do espelho :
- O amor nunca há de ser cruel, nós sim,
somos os cruéis!
E isso ecoou durante um instante
muito longo.
E assim éramos... demais pra nós dois!.
Era esse transbordar, o motivo do silêncio
e o que eu apenas queria
era que o meu silêncio fosse compreendido,
muito mais do que falo.
Éramos assim, água e açúcar,
água e óleo,
ora nos dissolvíamos,
ora não nos misturávamos,
a insistência do mergulho
era a crueldade do nosso con-viver,
nada mais cruel que a obrigação do mergulho,
ou o receio de nadar e morrer lá, na ilha, só.
Ser leve, talvez seja, o pesar dos nossos pensamentos,
a campainha que toca a urgência: agora eu preciso!
E disso o amor não é feito, nele não mora o tempo,
desconhece a marcha dos ponteiros..
Talvez seja o amor, um deus fora de tempo,
sem passado, presente, futuro... vive em si!
Se caso eu seja esse "fora de tempo", o que me resta
é sempre empurrar esse engenho da vida, que transforma
a carne dura da cana em suco, doce.
Todo fim devia ser doce,
pra que no recomeço, ainda restasse
aquele adocicado que nos fazia sorrir
sem motivos.
Eu queria que a incompreensão
não morasse em meu silêncio
e que ao escutá-lo ele fosse mais claro,
como o sol que anuncia sua chegada,
tocando uma luz fina nos pés da nossa cama.
Quem cala os ouvidos pro silêncio,
o ouve ainda mais.








segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Carta pra Brigitte




Brigitte,
rabisco esse papel em resposta
ao seu sinal de vida perfumado
que me chegou essa manhã 
na caixa do correio.
É... a cidade tá me devorando,
acabei acostumando até,
to passando muito tempo
com a cara na janela espiando
os outros devorados,
que procuram os vazios dessa cidade fria,
é tanta pressa, que eu acho que a cidade
nem consegue digerir esse tanto de gente.
Todo dia eu planejo uma forma
de deixá-la com dor de barriga,
minha única diversão.
Eu queria era ser vomitado pra perto
daquele sol que tu levou daqui,
que eu vejo no fim do dia,
escondido atrás do Edifício Bela Vista,
lembra?
nome sem sentido, Bela Vista!
Não sei pra quem!
Lembrei da gente sentado
no terraço do prédio aqui,
jogando papo fora,
tu dizia que tudo isso era muito grande,
mas de noite o que a gente enxergava
era só um formigueiro de luzes.



 




foto-imagem extraída (Google).

domingo, 6 de outubro de 2013

O bloco da manhã - canção de domingueira



Os teus raios chegaram
iluminando a domingueira,
tornando o café da manhã
ainda mais suado.
Eu era aquele que recebia
na varanda, tua luz a alfinetar
os olhos baixos.
Ah sol, eu quase
não penso em você,
mas há a tua insistência
de não sair da minha cabeça.







foto-imagem extraída (Google).

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

A ânsia que antecede o pouso



Eu acabo o dia
sobrevoando nos perfumes
que dançam nos ventos,
com uma vontade
desprendida do medo,
são as asas cansadas
de tanto serem rebatidas.
Eu sou um passarinho
que se desprendeu
da gaiola e que
procura um dedo
pra pousar,
descansar do voo.








foto-imagem extraída (Google).

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

No dia em que a surdez nos pegou



A cidade nos devorou
nessa manhã
e seu gemido impetuoso
nos acordava,
erguiam-se os longos
corpos de concreto,
na poeira que pousava
nos últimos fios de cabelo
do velho que vinha, acinzentado.
A gente se espriguiçava
na lentidão, no prazer
de dar a última carícia
nos travesseiros
e esticando as caras
pra fora da janela fina,
era o momento de gargalhar o dia.
A cidade nos devorou,
no dia em que acordamos surdos.






foto-imagem extraída (Google).


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O sumiço das abelhas


O teu zumbido
tinha ido 
por entre as folhas 
da pitangueira,
e o meu ouvido nesse instante
procurava aquele 
zoom zoom zoom
que me apaixonava tanto.
O meu ouvido ensurdeceu
na partida tua, abelha doce.
A tua falta desperdiça
as flores que não mais
sorriem e expõem as suas cores.
O mal do zumbido
é a surdez.









foto-imagem extraída (Google).

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A janela está aberta



Me pego no teu apego,
nas portas e janelas abertas,
por onde corriam
as crianças em forma de vento.
Maria me disse um dia: 
- O teu abrigo, não nos obriga 
a ficar!
pois que bunito era
passar sempre de frente
da janela, e espiar a saudade,
essa dorzinha prazerosa,
como aquela, que dá nos dedos
dos pés, quando se tira o sapato
apertado,
a vida tem seus tamanhos,
mas a gente se aperta
pra caber.






foto-imagem extraída (Google).

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

De quem planeja imprecisões


Eu quero viver
como quem está morrendo
sem saber.
Me endividar com o tempo
sem previsão de pagamento.
Esbarrar todo dia
com uma outra vida desajeitada.
Talvez seja essa
a verdadeira mágica
da imprecisão :
ajustar os relógios.





foto-imagem extraída (Google).
 
 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Paciente da ausência



A tua presença,
muito mais que a ausência,
é a fonte luminosa
que se abre entre as nuvens
negras que pairam
no céu-da-boca do mundo.
Tu és um tumor nos meus pulmões,
aquela tosse que 
serve de lembrança.
Tu és algo que me rasga
de alegria, dolorida, na navalha
de teus olhos cortantes.
Tu és aquela que tem
os seios que me provocam,
os longos cachos bagunçados.
És a ferida doída e gostosa
que sinto nos dedos dos pés
ao tirar os sapatos apertados,
o acidente por acaso na esquina.
Tu és a doença que eu queria ter,
o remédio que eu tomaria toda manhã.





foto-imagem extraída (Google).

 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

As histórias voam e sopram os ouvidos



Ouvi muitas histórias
de pessoas sentadas ao meu lado
no banco da praça fria,
sem ao menos perceberem
que estavam me contando
seus segredos, seus sonhos,
suas desavenças com a vida.
As vezes me dava à ousadia
de rir de suas palavras sinceras.
Ah como era engraçado a vida
contada!
Mas também há tanta prisão
nessas especulações de que tudo
"um dia irá ser bom".
Foi assim, quando um casal
se sentou ao meu lado
e em seus fortes abraços
e as conversas, que percebi
a tal prisão. No mesmo instante
eu folheava as palavras do poeta
educador, que dizia: 
"...as flores não têm porquês; 
florescem porque florescem. 
Pensei que seria bom 
se também nós fôssemos
como as plantas, que nossas ações 
fossem um puro transbordar de vitalidade, 
uma pura explosão de uma beleza 
que cresceu por dentro 
e não mais por ser guardada. 
Sem razões, por puro prazer."

E tudo anda assim,
precisando flores-ser!




Foto-imagem extraída (Google). 
 
 

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Devaneios de varanda



Permaneci atento pras
minuciosas questões da
filosofia de vida.
O quão grande é uma gota
de uma chuva rala, salpicada
na folha de uma árvore fria e nua,
esperando os que passam...
pra saltarem em nós.
O quanto de afeto nos dá ao ver
passarinhos aplumados nos fios,
enxutos, observando de cima,
reflexos azuis-acinzentados do céu
nas poças de água das ruas.
A vida vem sempre por aqui,
passa sempre por essa rua sem saída
e nos dá aquele ar de :
" poxa, era só isso que eu queria!"
E tá ai.
Bem aventurados sejam os que se perdem
na calmaria de um dia chuvoso,
cor de vida boa.






foto-imagem extraída (Google).

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Ela era uma maçã-verde



A menina era uma maçã-verde,
daquelas que se penduram
no último galho da macieira,
engraçado que não tinha
medo de altura, ou mal sabia
o que a altura significava,
nos tornam mais altas, mais leves, ou mais longe?
era a maçã querendo amadurecer antes mesmo
de aproveitar tudo que podia de sua primeira cor,
verde-paz.
A menina era uma maçã-verde...
que amadurecia como que se tivesse
sendo partida em duas metades,
era agora uma maçã de um vermelho
tão profundo, que vez ou outra 
perdiamo-nos no seu véu cor de sangue-doce.





foto-imagem extraída (Google).

 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Dos acasos de cabelos curtos



O acaso me veio
de cabelos curtos,
tímidos fios negros.
Me esquentava
a companhia doce,
tão doce como um sorriso
de meia-boca,
o acaso me veio
e se foi...
deixando um cheiro bom
e uma saudade
do que ainda estava
por vir.







foto-imagem. desenho : Luma Flôres.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Farelos e 3 colheres de açúcar



Sentado à beira
daquela mesa azul-calmaria
estava envolto do cheiro de café,
coado em meias de seda pura,
ainda havia os farelos espalhados
e um pedaço de pão sem miolo,
o engraçado era, que eu sentia
essa mesma coisa,
como que se tivesse um buraco no peito,
uma cratera aberta,
mal sabia eu, que aquele vão teria cura:
era algo que só se feichava
com um amor, 3 colheres de açúcar
ou miolo de pão.







foto-imagem (Google).
 

sábado, 17 de agosto de 2013

...e tudo mais que não tem freios



Inevitável é perder-se
entre as nuvens brandas que passam,
é disso que sou feito, do inevitável
eu de cá via a moça e algo me dizia
que ela também era, imprevisível
tanto quanto os ventos,
aqueles ventos feito balas perdidas
que nos alfinetavam com sua frieza,
eu quero mais a certeza de algo incerto,
perder-se nas nuvens que passam,
ser bobo e sem promessas.







foto-imagem extraída (Google).

terça-feira, 13 de agosto de 2013

E disso tudo...Paciência!



E da impaciência
eu só quero tirar o que resta,
a sobra da esperança,
aquele suspiro de " ah sim, e agora?"
essa correria que ela sempre tem
dentro de si, mas que de tanta pressa
nunca saiu de dentro,
não transborda,
é dessa impaciência
que eu tiro a pausa,
giro os ponteiros em outro sentido.
Não soma nem subitrai,
só reproduz,
a tua rapidez não lhe tira do lugar.
É ir sem pressa...mas sem perder
a hora,
e em tudo mais que se está impaciênte....
Paciência!






foto-imagem extraída (Google).

domingo, 11 de agosto de 2013

Dos que partem aos que chegam




Quero traçar as longas estradas
dos infinitos fios de vida,
levar a sacola comigo,
cheia de acasos pra contar,
refazendo-se a cada chegada e partida,
trocando as sacolas.
Quero perder-me no labirinto
das tempestades de alegrias
que bombardeiam as janelas abertas
com sorrisos da manhã,
é encontrar-se sempre diferente
nas novas multidões,
o desconhecido que conhece
a transformação,
a metamorfose da alegria que se quer.
Quero traçar as ilusões
que passam nos longos planos
que não fiz.
Eu desembarco na estação
dos descontentes, aguardo
na fila dos sonhos que querem
acordar.





foto-imagem extraída (Google).

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Dos inteiros às metades




Se tudo aquilo que era tido
tivesse ido e não voltado,
minha vida seria uma breve ida,
partida em duas metades,
aquela que significa
preenche o que fica, dando e s p a ç o ,
a outra segue ao longe da estrada
perdida, nos passa e vai,
o meu coração
pacifica.




foto-imagem extraída (Google).

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Essas coisas



Isso é o que eu reparo mais,
não a beleza...
mas o que ela causa,
não o vento...
mas o frio que dá,
é uma coisa surreal que acontece
dentre as coisas vãs que passam.




foto-imagem extraída (Google).

domingo, 21 de julho de 2013

Libração da lua




A noite perde sua escuridão
em meio as rajadas de luz
da impiedosa de olhos gulosos,
a lua,
essa fonte de saudade
que rege todas as águas,
as da terra e as dos olhos, nos perde,
nas madrugadas da retina,

nas agulhas luminosas custurando
de claridade as costas do céu.



foto-imagem extraída (Google).

sábado, 20 de julho de 2013

Definição do desejo indefinido



O desejo é isso,
tudo aquilo que se quer agora
e só no agora satisfaz,
aquele que nasce e logo morre,
um êxtase momentâneo
no estalo.
O desejo é isso,
tudo aquilo que nos faz
respirar por cima do soluço,
que nos toma o ar e nos devolve
logo em seguida.



foto-imagem extraída (Google).

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Eu quero mais a lentidão



Não me interessa a rapidez
das coisas,
nem o giro espaçoso do mundo,
por muito tempo acreditei que o mudo, ficou mudo
porque falava rápido de mais,
engoliu a voz, deu um nó no soluço.
Não me satisfazia a agilidade com que as coisas
corriam,
Eu me contento com a lentidão,
nas coisas que vão arrastando-se
deixando um rastro de vida,
como olhares que se cruzam
quase que eternamente, por um momento,
eu dispenso relógios.





foto-imagem extraída (Google).

Sandálias batidas



Meus pés tiveram um caso de amor,
um estalo rápido de paixão,
foi ela, a areia úmida da praia,
sua amante momentânea,
um amor tão rápido
que durou apenas uma aurora
e um pôr-do-sol.
Meus pés tiveram um caso de amor,
que durou muito pouco,
só deu tempo de deixar as pegadas
estendidas no corpo de areia
e carregar  as sandálias
até suas beiras.







foto-imagem extraída (Google).

quarta-feira, 17 de julho de 2013

chêro




É quando meus olhos
estão queimando, na faísca
do sol do dia,
que eu acabo ficando
a pensar no teu chêro,
estacionado no reflexo de tudo.
É o colorido que dá o prazer
de gozar a saudade, ser tomado
pela beleza do lembrar,
eu fico a pensar, quase que inconciente,
na eterna-mente-paz do teu chêro.





foto-imagem extraída (Google).

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Todo santo remédio - Monólogo da Loucura




Aprendi que o tempo é muito lento
que a gente pensa tão rápido
que não dá tempo de parar.
Minha mãe que tinha o poder de fazer o tempo
passar no tempo que ela quisesse,
ah mãe! O que é o meu delírio?
Me arranja um remédio que cure isso!
Toda mãe tem remédio que cura tudo quanto é mau.
Eu só não sabia qual era o meu.
É isso, eu to desaprendendo a andar no tempo,
os relógios não me servem tanto quanto serviam.
Eu sou sempre o que passou e o que tá vindo.
Talvez esse seja o meu mau, não ser o agora, o que é.
Não mãe, eu não quero cair na loucura.
Eu sempre pensei que a senhora
quisesse que eu fosse igual a todo mundo
e bem que agora, eu queria mesmo ser igual,
ser um mesmo resultado de uma soma diferente.
Seguir por esse rumo deixa a gente
tão vulnerável, sem proteção.... tão só,
é bonito, não vou mentir,
mas é muito fácil cair no nada,
e é bem lá, no nada,
que a gente se depara em questionar
o porquê das coisas serem assim.
Eu não quero cair nessa loucura!
É como se a gente nunca tivesse remado
e sempre estivesse acreditando no vento
nos levando nas costas, prum passeio.
Como se tudo que acabasse, não tivesse fim.




foto-imagem extraída (Google).

domingo, 14 de julho de 2013

Mofo





- Sim, é isso!
Eu pretendo soltar os ventos mofos, presos
no guarda-roupa,
desatar os nós do presente-teu-coração
armar de saudade o meu desejo insasiável 

de ser envolto pelo teu perfume, que fica sempre.
- Sim, é isso! Simples e curto....
o meu sonho de olhos preguiçosos.






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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Orquestra de pensamento - o único poema que o poeta recitava



Eu pensava em tudo,
tudo mesmo,
era difícil não pensar em nada,
todas as possibilidades de vida,
todas as impossibilidades regidas
pelo corpo.
Era a orquestra do corpo deslocado,
era a inércia que nos impossibilitava
de lidar com os sentidos.
E foi assim, quase que matando a poesia,
já no veredito do ponto final,
que eu já não pensava
em mais nada.






foto-imagem extraída (Google).

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Saudosa-mente : carta pra se ler antes de partir.




Saudosamente eu lhe sustento neste lida
e só de ida, nesta volta eu lhe carrego,
ego, eu não te quero e te deixo fora, livre,
mas essa rosa é que suspira em minha mala,
onde se vai em meio as roupas e os pedaços
de papéis com as escritas garranchadas,
não me pergunto, nem respondo,
pondo às pressas minha cara na janela,
pra chapiscar o dia com os dedos,
apontando a beleza que não cessa.
Saudosamente,
saudosa,
mente - sã que se espalha
junto aos grãos de vida desta sala,
inda tenho relógios sem ponteiros, 
que de marra vão no bolso desta calça.





foto-imagem extraída (Google).

quarta-feira, 10 de julho de 2013

o que vier, eu passo e levo




Que o espaço seja apenas um espaço
preenchido com os sorrisos mais distraídos
que as distrações sejam mais longas e compridas
que se cumpram no ato de ser e estar,
que os olhares sejam como ímas
e que além de ver possamos enchergar
as frestas vazias entre tanta coisa,
sempre cabe mais, sempre há mais,
que joguemos fora os relógios
até porque não queremos nos prender ao tempo,
que o escutar seja mais ouvido que o falar,
que as bocas sejam tapadas apenas com beijos.
 
 
 
 
foto-imagem extraída (Google).

terça-feira, 9 de julho de 2013

tuas estrelas nos olhos



De quê seria o céu
sem o pontilhado das estrelas?
o cancêr das nuvens empoeiradas,
pairando, pincelando o ar,
as estrelas são estas,
os olhos de gatos luzentes.
De quê seria o céu
senão os astronautas do chão?




foto-imagem extraída (Google).

segunda-feira, 8 de julho de 2013

vai-e-vem



Porque tão calma, a quente alma geme
e as mãos cálidas da tua ânsia
de ver em mim aquele amarelo-sol,
que sempre tardia
na mansidão dos devaneios,
eu queria mesmo é que a vida
viesse mais do que vai,
e, se fosse possível, que teus sorrisos
não fugissem 
tanto quanto o dia.



foto-imagem extraída (Google).

sexta-feira, 28 de junho de 2013

um bom dia estendido no ouvido



Amanhece os olhos compridos
na cama, estendidos no espreguiçar
do sol atravessando
nas frestas das costas da janela,
ela,
a manhã
e um beijo no pé do ouvido.



Foto-imagem extraída (Google).

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Psicólogo de poeta



Assim devem ser os poetas,
impacientes, afoitos,
com o peito aberto pro vento
com o corpo pronto pro fogo.
Assim devem ser os poetas,
com os olhos virgens,
afim de comer qualquer imagem bonita,
assim devem ser, sutis
descompromissados com o tempo
e ao mesmo tempo amigo dele,
que finde a beleza das moças.
Assim devem ser...
mentirosos e fiéis,
assim devem ser os poetas,
amantes excitados.



 

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Apalpando as orelhas



A noite é um gemido no ouvido,
a orelha quente que escuta
o desabafo,
e aquele espaço entre
o sumiço e a pressa
que a melodia tende a soar,
a noite é um gemido no ouvido,
de conversa mansa
que acalma.




foto-imagem extraída (Google).

terça-feira, 4 de junho de 2013

A particula de poeira suspensa em um raio de sol



E toda gratidão
e todo medo,
e todo receio,
e toda cumplicidade,
era esse relógio que girava
na velocidade do movimento planetário,
eram os pensamentos confusos,
e toda simplicidade,
e toda solitude,
e toda risada forçada,
e todo verso que não vale
era o suicídio insistindo,
na meia volta dos olhos doloridos,
e o trançar da barba mal vista,
e toda a esmola vendida,
e todo pingo d'água na pia,
e todo o silêncio e agonia,
e toda a luz apagada,
era o que ninguém queria,
um resto de pensamento depressivo,
o meu ouvido doído de zumbido
da abelha na flor mal-cheirada,
e todo o amargo,
e todo o cansaço,
e toda a complexidade,
e toda a solução,
era o soluço de querer parar
de sentir o arrepio...pio.
E toda resposta mal perguntada,
e toda a curva de estrada,
e toda menina mal-amada,
e todo o mundo tão parado...
Todo.
Tudo.
Toda.
Me fazem nada.
"O pálido ponto azul".




foto-imagem extraída (Google).

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Onde esquenta os pés



Eram os olhos turvos
de neblina, na fria
madrugada de uma
estação fora de época.
Eram as latitudes
extremas de teus dedos
quentes no meu rosto,
as baforadas espumantes
nos algodões emaranhados
na luz dos postes,
no muro do peito rebocado,
numa bocada de noite cinzenta
da qual o suor se escondia
na meia, dos pés alados
de frieza,
eu sopro,
neblino.



foto-imagem extraída (Google).

quarta-feira, 15 de maio de 2013

A rua ouviu uma história e sorriu



Ah Maria,
Maria do sorriso mais "bunito"
do mundo,
mesmo se nunca tivesse
sabido de tu,
se nunca tivesse te visto,
eu olharia pro céu
e pediria pra te ver, Maria...
que tu passasse na minha rua nua
e na mesma rapidez do cheiro estendido
viria o teu sorriso,
queria alí, naquele instante morrer,
seria o momento mais "bunito"
da minha rua,
Ah Maria, eu morreria de sorriso.




foto-imagem extraída (Google).

segunda-feira, 13 de maio de 2013

O mar tem algo que me engole



Mariana comia o mar com os olhos,
aqueles que agora eram feitos de sal,
liquidando-se no solúvel sol-partindo
das frestas de fogo nas ondas,
eram os profetas das águas-brandas,
as mulheres de alma líquida,
as pedras lavadas de choro-de-peixe,
ficava ali saudosamente, 
o fim de tarde mais "bunito":
Ana e o mar... Ma-ri-a-na.




foto-imagem extraída (Google).

terça-feira, 7 de maio de 2013

Desejo de bocas cruas



O beijo é uma coisa tão sensível
que mesmo quente, ardente,
é um contato que se apluma,
é um trançar de línguas cruas,
que se molham tanto em bocas-sol
quanto bocas-lua,
são dias e noites em vertente,
é uma briga, boa, de almofadas rosadas
que quando tocadas, tocam da intimidade
até o dedão do pé...embaixo da unha,
que escala a coluna até o arrepio
de eternidade,
é a mordida, ferida que arde,
que é tão sensível quanto um
vento em pele nua,
é um desejo de alarde.
Era como um poeta disse um dia :
"...Beijo extremo, meu prêmio, meu castigo..."




foto-imagem extraída (Google).

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Na brasa



Eu com meus olhos de madeira,
mesmo sabendo,
ainda insistia em olhar os olhos de fogo
dela, a chama crescia,
e queimávamos numa sutil
fogueira de dois,
nisso tudo,
ainda achava um prazer estonteante
de me queimar na última brasa
que restava em meio às cinzas.



foto-imagem extraída (Google).

Desinteressante momento de chegar



To fugindo de casa,
é até engraçado fugir de casa,
pra uma pessoa que mora sozinha, 
mas é disso mesmo
que fujo... da casa.
Não to levando nem a roupa
do corpo, apenas os grãos de areia
entre os dedos dos pés
e o salto alto que os comeu,
era agora o tempo de aprender
a andar com eles...andando,
mesmo com quase nada, sentia
ter deixado aquele vão
na sala de casa, estava preenchida de euforia,
tão afoita que não percebia os pés ao chão,
era apenas a poeira da estrada se espalhando,
subindo alto onde eu já tinha pisado,
mas é de se perguntar: onde vou parar?
eu ria escancaradamente,
não me interessava onde chegar,
já que a verdadeira importância
eu dava pro caminho.



foto-imagem extraida (Google).
 

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Do lado de fora - Pele crua



Tiramos nossa pele de pano,
era agora nós, despidos do casulo
mais leves, como borboletas
em seu primeiro vôo
brincavamos nús
nos cômodos da casa,
o jardim tão nú como nós,
tinhamos o cheiro do dia e da noite
eram como duas crianças soltas,
a sós na casa, prontos para virar
tudo do avesso,
e nisso, viramo-nos do avesso mesmo,
meus pêlos e os dela sem medo
como espelhos dos corpos quentes,
eram nossas imperfeições expostas
na perfeição de sermos nós mesmos,
as crianças? estas, rasgaram-nos a carne crua
e corriam se escondendo pela casa.



foto-imagem extraída (Google).

terça-feira, 30 de abril de 2013

Lida de preguiça



Ela folheou o livro
como quem folheia cartas de baralho
e num estalo de conversa
minha sutileza de pedir as coisas,
pedi a ela que lesse-o.
Ela com a preguiça nos olhos,
aqueles, olhos de fogo,
abriu-o onde o destino conspirasse
e leu-o meio acanhada e sem vontade,
eu? tomei um punhado de ouvinte
e a olhava... apaixonado pela cena,
observando igual um menino besta,
e no colar e descolar da boca
vi as linhas dos teus lábios se desenharem
e serem apagadas a cada passar de língua
pra uma tomada de fôlego.
eu? sem fôlego...sorri.



foto-imagem extraída (Google).

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Mente privada



Senhores e senhoras abaixam suas calças,
mostram-se na íntima desproteção,
sentam-se na sua cabeça de privada
injetando no fundo do teu poço, o fim.
A sessão de descarrego dos almas-rasas.
No fim, quando lhe dão a descarga,
eu não tenho tempo de ouvir,
pois meu ouvido não é pinico...
e desiste da sua insistência
em falar merda,
se limpar com a própria língua.





foto-imagem (Google).
 
 

domingo, 28 de abril de 2013

O pregador e o varal - Alma lavada



Guarde bem o teu anseio
leve, cheire a flor que tem no seio
que desabrocha, flexa na rocha
que fura o peito nú,
queda na volta, abre e solta
aquele beijo...
Pendure bem aquelas roupas,
prega a dor neste varal,
sopra um vento que enxuga,
qualquer previsão 
do tempo que não muda.
Saia que roda, corpo na corda
feito o teu pião
chuva na volta, pára e molha
aquele rosto.

e fura o peito nú
e fura o peito nú.

Peito-de-flor



Eram as moças
e seus vestidos,
seus retalhos
e seus sorrisos.
Em meio a dança
o meu batuque
no teu tambor-peito-de-flor,
o trançar e destrançar
das pernas roliças,
eram elas, 
que lançavam sorrisos
com os olhos cheios d'água.





foto-imagem extraída (Google).