A cidade nos devorou
nessa manhã
e seu gemido impetuoso
nos acordava,
erguiam-se os longos
corpos de concreto,
na poeira que pousava
nos últimos fios de cabelo
do velho que vinha, acinzentado.
A gente se espriguiçava
na lentidão, no prazer
de dar a última carícia
nos travesseiros
e esticando as caras
pra fora da janela fina,
era o momento de gargalhar o dia.
A cidade nos devorou,
no dia em que acordamos surdos.
foto-imagem extraída (Google).

Nenhum comentário:
Postar um comentário