Eram os olhos turvos
de neblina, na fria
madrugada de uma
estação fora de época.
Eram as latitudes
extremas de teus dedos
quentes no meu rosto,
as baforadas espumantes
nos algodões emaranhados
na luz dos postes,
no muro do peito rebocado,
numa bocada de noite cinzenta
da qual o suor se escondia
na meia, dos pés alados
de frieza,
eu sopro,
neblino.
foto-imagem extraída (Google).
Ah Maria,
Maria do sorriso mais "bunito"
do mundo,
mesmo se nunca tivesse
sabido de tu,
se nunca tivesse te visto,
eu olharia pro céu
e pediria pra te ver, Maria...
que tu passasse na minha rua nua
e na mesma rapidez do cheiro estendido
viria o teu sorriso,
queria alí, naquele instante morrer,
seria o momento mais "bunito"
da minha rua,
Ah Maria, eu morreria de sorriso.
foto-imagem extraída (Google).
Mariana comia o mar com os olhos,
aqueles que agora eram feitos de sal,
liquidando-se no solúvel sol-partindo
das frestas de fogo nas ondas,
eram os profetas das águas-brandas,
as mulheres de alma líquida,
as pedras lavadas de choro-de-peixe,
ficava ali saudosamente,
o fim de tarde mais "bunito":
Ana e o mar... Ma-ri-a-na.
foto-imagem extraída (Google).
O beijo é uma coisa tão sensível
que mesmo quente, ardente,
é um contato que se apluma,
é um trançar de línguas cruas,
que se molham tanto em bocas-sol
quanto bocas-lua,
são dias e noites em vertente,
é uma briga, boa, de almofadas rosadas
que quando tocadas, tocam da intimidade
até o dedão do pé...embaixo da unha,
que escala a coluna até o arrepio
de eternidade,
é a mordida, ferida que arde,
que é tão sensível quanto um
vento em pele nua,
é um desejo de alarde.
Era como um poeta disse um dia :
"...Beijo extremo, meu prêmio, meu castigo..."
foto-imagem extraída (Google).
Eu com meus olhos de madeira,
mesmo sabendo,
ainda insistia em olhar os olhos de fogo
dela, a chama crescia,
e queimávamos numa sutil
fogueira de dois,
nisso tudo,
ainda achava um prazer estonteante
de me queimar na última brasa
que restava em meio às cinzas.
foto-imagem extraída (Google).
To fugindo de casa,
é até engraçado fugir de casa,
pra uma pessoa que mora sozinha,
mas é disso mesmo
que fujo... da casa.
Não to levando nem a roupa
do corpo, apenas os grãos de areia
entre os dedos dos pés
e o salto alto que os comeu,
era agora o tempo de aprender
a andar com eles...andando,
mesmo com quase nada, sentia
ter deixado aquele vão
na sala de casa, estava preenchida de euforia,
tão afoita que não percebia os pés ao chão,
era apenas a poeira da estrada se espalhando,
subindo alto onde eu já tinha pisado,
mas é de se perguntar: onde vou parar?
eu ria escancaradamente,
não me interessava onde chegar,
já que a verdadeira importância
eu dava pro caminho.
foto-imagem extraida (Google).
Tiramos nossa pele de pano,
era agora nós, despidos do casulo
mais leves, como borboletas
em seu primeiro vôo
brincavamos nús
nos cômodos da casa,
o jardim tão nú como nós,
tinhamos o cheiro do dia e da noite
eram como duas crianças soltas,
a sós na casa, prontos para virar
tudo do avesso,
e nisso, viramo-nos do avesso mesmo,
meus pêlos e os dela sem medo
como espelhos dos corpos quentes,
eram nossas imperfeições expostas
na perfeição de sermos nós mesmos,
as crianças? estas, rasgaram-nos a carne crua
e corriam se escondendo pela casa.
foto-imagem extraída (Google).