segunda-feira, 30 de maio de 2011

Canto Estradeiro ( A volta da Menina-Flor)

         

Adorna teu sorriso na estrada
E o bolso vazio de cansaço,
Escaço os passos, sozinha no pó das pedras
E a boca de poeira e sal
Do sertão, minha seca de saudade
Eis os lábios teus, salgados de mar
Ou apenas desbotados pelo sol.
Há apenas um motivo que lhe move,
Um dia e uma noite sem tristeza
Minha certeza, procurar-te
Pelo caminho das cercas
Estas de pau e arame que trilham as pegadas
Ao encontro,
Apanhar um cheiro de volta,
Um prefixo de um canto estradeiro.



(Foto-imagem cedida por D. Fabrícia)

Corpo de Terra

       

Canto I

Eis tua porteira,
E o chão virgem que teus pés tocam
Descalça-te e role no tapete de folhas secas
Que o sopro espalha sobre o corpo da terra ingênua
Num rodopio adentro de um túnel verde.

Canto II

O dia vestiu-se de homem
E o homem vestiu-se de terra
Num corpo inerte de poeira
No carnaval que dançava ao vento,
No grito do corpo castanho.

Canto III

Eis tua fúria,
Que o sopro queria arrancar o corpo castanho
Da terra-mãe,teus braços esticados ao céu
Como se uma reza obrigasse-a dançar sem música
Teus pelos soltavam-se pela ventania
E perdiam-se na angústia que o mar celeste chorara.

Canto IV

Eis tua bebida,
Aquela que salva e mata
O corpo agora desmancha-se e o que era pó vira lama
- Eu perco agora meu Deus, minha cor de terra seca!
Teus pés agora nus, ferem-se
E o rastro de tua vida adorna o solo
Que agora encharcado abriga teu corpo nu.

Canto V

Eis tua luz no final do túnel,
Banhar-se no gozo que sobrou da fúria
Enquanto o frio corrói as unhas que cravaram na carne,
Na pele do corpo castanho o prazer da fertilidade.

Foto-Imagem R. Oliveira (Porteira Coité).

As pedras de São salvador

Vou de ponta a ponta,
Nas tuas costas de espuma
Beirando pedras que não morrem
Não se movem,apenas abatem-se no colapso do sal
No sonho de afogar-se no leito
Segura-te na viagem!
De um lado meu concreto opaco
Do outro meu corpo multi-cor.
Ainda hei de escapar, rolar,
Roçar nas espumas, numa imensidão
Que me contenta apenas no coração de pedra!


Foto - Imagem : R. Oliveira ( Salvador , Amaralina)

quarta-feira, 18 de maio de 2011

In Versos

        

Voava nas chaminés que ofuscavam o papel
E feria-se a pele pálida
Com cinzas das curvas certas
Meu quebra-cabeça no balanço
Inverso, invertido, incerto.
Dava a luz ao desconhecido
E que ao mesmo tornava-se íntimo,
Das minhas entranhas.



Foto- Desenho ( R. oliveira).

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Desenho de Teto



Meu elemento único,
A pureza da mancha na roupa
As cinzas manchadas nos dedos
A sorte por sorte sem medo
Meu dia e noite acesos
Na luz acoplada no bolso
E pálido que seja meu rosto
Tem força pra rabiscar o teto,
Incertos, meus traços que fingem ser novos.

Foto- Desenho (Rafael Oliveira) Psicodelia.

sábado, 7 de maio de 2011

Se Agarro

 

Nas pontas dos dedos acendo-lhe
E com os mesmos me conforto
No fósforo, no pós-angústia
Minha alegria seca de doçura
Abro as pernas e lhe apoio,
Na gangorra dos dedos que se movem
No prazer que a ti pertence
Me apaga e me acende,
Num piscar, num riscar de olhos.

Foto- Imagem extraída (Google).