quarta-feira, 24 de julho de 2013

Essas coisas



Isso é o que eu reparo mais,
não a beleza...
mas o que ela causa,
não o vento...
mas o frio que dá,
é uma coisa surreal que acontece
dentre as coisas vãs que passam.




foto-imagem extraída (Google).

domingo, 21 de julho de 2013

Libração da lua




A noite perde sua escuridão
em meio as rajadas de luz
da impiedosa de olhos gulosos,
a lua,
essa fonte de saudade
que rege todas as águas,
as da terra e as dos olhos, nos perde,
nas madrugadas da retina,

nas agulhas luminosas custurando
de claridade as costas do céu.



foto-imagem extraída (Google).

sábado, 20 de julho de 2013

Definição do desejo indefinido



O desejo é isso,
tudo aquilo que se quer agora
e só no agora satisfaz,
aquele que nasce e logo morre,
um êxtase momentâneo
no estalo.
O desejo é isso,
tudo aquilo que nos faz
respirar por cima do soluço,
que nos toma o ar e nos devolve
logo em seguida.



foto-imagem extraída (Google).

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Eu quero mais a lentidão



Não me interessa a rapidez
das coisas,
nem o giro espaçoso do mundo,
por muito tempo acreditei que o mudo, ficou mudo
porque falava rápido de mais,
engoliu a voz, deu um nó no soluço.
Não me satisfazia a agilidade com que as coisas
corriam,
Eu me contento com a lentidão,
nas coisas que vão arrastando-se
deixando um rastro de vida,
como olhares que se cruzam
quase que eternamente, por um momento,
eu dispenso relógios.





foto-imagem extraída (Google).

Sandálias batidas



Meus pés tiveram um caso de amor,
um estalo rápido de paixão,
foi ela, a areia úmida da praia,
sua amante momentânea,
um amor tão rápido
que durou apenas uma aurora
e um pôr-do-sol.
Meus pés tiveram um caso de amor,
que durou muito pouco,
só deu tempo de deixar as pegadas
estendidas no corpo de areia
e carregar  as sandálias
até suas beiras.







foto-imagem extraída (Google).

quarta-feira, 17 de julho de 2013

chêro




É quando meus olhos
estão queimando, na faísca
do sol do dia,
que eu acabo ficando
a pensar no teu chêro,
estacionado no reflexo de tudo.
É o colorido que dá o prazer
de gozar a saudade, ser tomado
pela beleza do lembrar,
eu fico a pensar, quase que inconciente,
na eterna-mente-paz do teu chêro.





foto-imagem extraída (Google).

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Todo santo remédio - Monólogo da Loucura




Aprendi que o tempo é muito lento
que a gente pensa tão rápido
que não dá tempo de parar.
Minha mãe que tinha o poder de fazer o tempo
passar no tempo que ela quisesse,
ah mãe! O que é o meu delírio?
Me arranja um remédio que cure isso!
Toda mãe tem remédio que cura tudo quanto é mau.
Eu só não sabia qual era o meu.
É isso, eu to desaprendendo a andar no tempo,
os relógios não me servem tanto quanto serviam.
Eu sou sempre o que passou e o que tá vindo.
Talvez esse seja o meu mau, não ser o agora, o que é.
Não mãe, eu não quero cair na loucura.
Eu sempre pensei que a senhora
quisesse que eu fosse igual a todo mundo
e bem que agora, eu queria mesmo ser igual,
ser um mesmo resultado de uma soma diferente.
Seguir por esse rumo deixa a gente
tão vulnerável, sem proteção.... tão só,
é bonito, não vou mentir,
mas é muito fácil cair no nada,
e é bem lá, no nada,
que a gente se depara em questionar
o porquê das coisas serem assim.
Eu não quero cair nessa loucura!
É como se a gente nunca tivesse remado
e sempre estivesse acreditando no vento
nos levando nas costas, prum passeio.
Como se tudo que acabasse, não tivesse fim.




foto-imagem extraída (Google).

domingo, 14 de julho de 2013

Mofo





- Sim, é isso!
Eu pretendo soltar os ventos mofos, presos
no guarda-roupa,
desatar os nós do presente-teu-coração
armar de saudade o meu desejo insasiável 

de ser envolto pelo teu perfume, que fica sempre.
- Sim, é isso! Simples e curto....
o meu sonho de olhos preguiçosos.






foto-imagem extraída (Google).

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Orquestra de pensamento - o único poema que o poeta recitava



Eu pensava em tudo,
tudo mesmo,
era difícil não pensar em nada,
todas as possibilidades de vida,
todas as impossibilidades regidas
pelo corpo.
Era a orquestra do corpo deslocado,
era a inércia que nos impossibilitava
de lidar com os sentidos.
E foi assim, quase que matando a poesia,
já no veredito do ponto final,
que eu já não pensava
em mais nada.






foto-imagem extraída (Google).

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Saudosa-mente : carta pra se ler antes de partir.




Saudosamente eu lhe sustento neste lida
e só de ida, nesta volta eu lhe carrego,
ego, eu não te quero e te deixo fora, livre,
mas essa rosa é que suspira em minha mala,
onde se vai em meio as roupas e os pedaços
de papéis com as escritas garranchadas,
não me pergunto, nem respondo,
pondo às pressas minha cara na janela,
pra chapiscar o dia com os dedos,
apontando a beleza que não cessa.
Saudosamente,
saudosa,
mente - sã que se espalha
junto aos grãos de vida desta sala,
inda tenho relógios sem ponteiros, 
que de marra vão no bolso desta calça.





foto-imagem extraída (Google).

quarta-feira, 10 de julho de 2013

o que vier, eu passo e levo




Que o espaço seja apenas um espaço
preenchido com os sorrisos mais distraídos
que as distrações sejam mais longas e compridas
que se cumpram no ato de ser e estar,
que os olhares sejam como ímas
e que além de ver possamos enchergar
as frestas vazias entre tanta coisa,
sempre cabe mais, sempre há mais,
que joguemos fora os relógios
até porque não queremos nos prender ao tempo,
que o escutar seja mais ouvido que o falar,
que as bocas sejam tapadas apenas com beijos.
 
 
 
 
foto-imagem extraída (Google).

terça-feira, 9 de julho de 2013

tuas estrelas nos olhos



De quê seria o céu
sem o pontilhado das estrelas?
o cancêr das nuvens empoeiradas,
pairando, pincelando o ar,
as estrelas são estas,
os olhos de gatos luzentes.
De quê seria o céu
senão os astronautas do chão?




foto-imagem extraída (Google).

segunda-feira, 8 de julho de 2013

vai-e-vem



Porque tão calma, a quente alma geme
e as mãos cálidas da tua ânsia
de ver em mim aquele amarelo-sol,
que sempre tardia
na mansidão dos devaneios,
eu queria mesmo é que a vida
viesse mais do que vai,
e, se fosse possível, que teus sorrisos
não fugissem 
tanto quanto o dia.



foto-imagem extraída (Google).