segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Maria Luz do dia
Maria já não chora mais
Não vê mais o dia brotar
Segue sem rumo do olhar
Deixando a sombra para trás.
Quantas Marias vi passar
Em barcos feitos de papel
Maria segue com seu véu
No balanço a velejar.
Menina que busca o mar
Com seu cabelo-caracol
Pescou do céu a luz do sol
Que em seu óculos se pôs a brilhar.
Já não suporta mais
Ouvir o vento gritar
Maria tem que voltar!
Maria tem que voltar!
Pra brisa soprar em paz.
Foto-Imagem extraída (Google).
sábado, 27 de novembro de 2010
Morfina-Luz
Rebanhos indomáveis de mariposas conturbadas
Num vôo alvorotado,
Ficam pensantes na cabeceira do olhar
E sem afoitar-se, jogam-se ao léu
Pincelando as paredes brancas da sala
Com bombas de pó de serra
E rodopios alucinados
Sedentos de sua morfina-luz
Colados na lâmpada, rebatendo o corpo
Enquanto a luz dá-lhes a ilusão
O sol já vem para levá-las,
Do pó de que nasceram, do mesmo se vão.
Foto-Imagem extraída (Google).
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Beira das Cores
Seguiam assim,
Os olhos a fecundar o horizonte
Onde saltavam sorrisos dos tecidos da face,
Os vestidos dançavam na melodia do poente
Tocando até os pés frios e úmidos
Que corriam numa verde esteira inflamada.
Os cabelos trançavam-se nas gargalhadas
Que ecoavam na plenitude do dia virgem,
E os corpos tingiam-se do colorido
Onde o arco-íris, filho inato sentava-se
Nas plumas das cinco rosas cor de alma.
(Foto-imagem cedida por Sandrelle Chiocarello).
Os olhos a fecundar o horizonte
Onde saltavam sorrisos dos tecidos da face,
Os vestidos dançavam na melodia do poente
Tocando até os pés frios e úmidos
Que corriam numa verde esteira inflamada.
Os cabelos trançavam-se nas gargalhadas
Que ecoavam na plenitude do dia virgem,
E os corpos tingiam-se do colorido
Onde o arco-íris, filho inato sentava-se
Nas plumas das cinco rosas cor de alma.
(Foto-imagem cedida por Sandrelle Chiocarello).
domingo, 21 de novembro de 2010
Bagagem de bolso (Inveja da luz)
Enquanto a aurora arregaçava meus olhos desbotados
E o espetáculo no picadeiro do céu se iniciava.
Guiava-me nas pontas de meus sapatos
Que ao certo estavam velhos e cansados,
O cheiro de cigarro dormido pousava em meu casaco
E as mariposas tingiam-no de cores opacas,
Aconchegava-me na cama pública dos vagabundos
Onde o céu de nuvens turvas servia-me de cobertor
Agora a cor negra que meus olhos se resumiam a enxergar
Tornara minha inseparável inimiga flutuante.
Um fósforo riscado e o calor satisfeito
Em meio ao náufrago do desespero
Refugiava as brasas semi-caladas,
Por que, senhor?pusera-me a questionar o silêncio,
Eu que brotara do ventre semi-aberto
Órfão de nostalgia, sentia o escarro em minha face
E como um verme sem visão perdia o rumo da vida
Fiz da luz do dia minha bagagem de bolso
Onde o sol não viria mais com seus dentes escancarados
Para acender minha inveja.
E se eu fosse um copo d’água?
Debruçado no chão e minha alma-água esparramasse
Em teu corpo frio de chumbo, evaporando aos céus
Tornando lágrimas de nuvens
Bombardeando os rostos dos descontentes
Saciando a sede de vossos olhos,
Perdera agora a esperança?
Perdera agora a esperança?
Só restou-me apenas um sorriso, um sorriso desnescessário.
Foto-Imagem extraída (Google).
Foto-Imagem extraída (Google).
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
O Brotar da chama.
Era apenas o fôlego em teu ouvido falando
E o orvalho no corpo colado
Nos lábios o gosto fluído
Do amargo ferrugem da língua
E as frias mãos que dançavam sem rumo
No aro da cintura de veludo,
As pernas entrelaçadas e numa peleja
Abriam-se e aplumavam os arrepios
Na noite em que do ventre brotou
Como no céu de fogo pôs-se a sangrar
E o fôlego agora era desvirginado
Abrindo caminho das unhas cravadas
Nos ombros onde marcavam-se as bocas,
Neste fim de um orgasmo prematuro
Gozava-se o nascimento,
De dois inoscentes.
Foto-Imagem extraída (Google).
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Palavras do Sr. Roger Waters
Ei você,
Aí fora além do muro
Quebrando garrafas no corredor
Você pode me ajudar?
Ei você,
Não me diga que não há mais nenhuma esperança
Juntos nós resistimos, separados nós caímos.
"Derrubem os muros que barram a luz do seus dias."
Foto-Imagem extraída (Google).
Sem Papo
Um passo distante na madrugada constante
Fumaça de insônia
Entrelaçadas em meias, em lençóis frios,
Frios como beijos de inverno
Sol de boca sem calor
Palmas contínuas no silêncio surdo do quarto colorido
No pensamento saturado em preto e branco
Sem papo ao menos com o cigarro meu traidor,
Abajur-vitral, companheiro mudo
Do poeta sem sono.
Foto-Imagem extraída (Google).
Patuscos do céu
Arcanjos que embriagam-se de angústia
Num vício cósmico de cada ser
Escancaram nas janelas,
Sorrisos presos em algodões manchados de pólvora
Trazendo cada vez mais o toque de recolher
Recolhendo ao sopro sonhos mastigados,
Sem sabor que cesse a fome angustiante
Da pobreza celestial ,do senhor que não usa óculos de arco-íris
Não arranca das entranhas dos famintos
O vício embreagante dos arcanjos
Devoradores de ilusão.
Num vício cósmico de cada ser
Escancaram nas janelas,
Sorrisos presos em algodões manchados de pólvora
Trazendo cada vez mais o toque de recolher
Recolhendo ao sopro sonhos mastigados,
Sem sabor que cesse a fome angustiante
Da pobreza celestial ,do senhor que não usa óculos de arco-íris
Não arranca das entranhas dos famintos
O vício embreagante dos arcanjos
Devoradores de ilusão.
O que você quer?
Nem tudo nem nada
Nem frio nem calor
Nem dia nem noite
Nem perto nem longe
Nem lá nem cá
Nem inverno nem verão
Nem bem nem mal
Nem tristeza nem alegria
Nem homem nem mulher
Nem corpo nem alma
Nem dentro nem fora
Nem seco nem molhado
Nem rápido nem devagar
Nem junto nem sozinho
Nem fácil nem difícil
Nem cedo nem tarde
Nem amor nem amizade
Nem céu nem inferno
Nem vida nem morte.
Foto-Imagem extraída (Google).
Vesti o dia
Vestidos que rodam na volta do dia
Meu dia que volta pra roda vestida
No teu vestido rodado, cria
Estradas nas curvas do sol, sua partida
Promessas de um novo nascer
A sorte guardada no bolso por crer
Que na vida ainda possa saber
O sentido certo que fez-se a você.
Meu dia que volta pra roda vestida
No teu vestido rodado, cria
Estradas nas curvas do sol, sua partida
Promessas de um novo nascer
A sorte guardada no bolso por crer
Que na vida ainda possa saber
O sentido certo que fez-se a você.
Arcanjo de Contra-mão
Ando de contra-mão, na palma da mão do tempo
Estreita-se o leito no urro da solidão
A morte sem companhia ,acompanha a procissão
Meu corpo de ressaca,ressalta o cansaço
No amargo beijo de aço
Na hora que os olhos saltam na mesma direção
Um tapa conduziu o sono
Sem sonho que lembre o amanhã
E na estação que o anjo fugia
Nascia a minha alegria na flor de hortelã.
Descansava num banco a saudade
À espera de uma luz passar
Pra levá-la prum altar
Onde cruxificavam a vaidade
E na mesma fria tarde
O sol pôs-se a cantar,pro carrasco partir no trem
para aqueles que não crêem em arcanjos embreagados.
Foto - Imagem extraída (Google)
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Enquanto espero o trem chegar
Lúcida como um pássaro sem ninho
A lua perfura a visão da noite
Clareando a estrada pensante
Coração no asfalto da incerteza
Proliferando pegadas repetidamente luzes,
Cigarros ecoavam sinais
Embaçando estrelas do céu de minha boca
Num gosto amargo e seco
Aguçando o calor, fogo de isqueiro
Sem força para mais um trago
Sem compaixão, nem desespero
Permanece a noite cega e alusiva
Lúcida como um pássaro sem ninho.
A lua perfura a visão da noite
Clareando a estrada pensante
Coração no asfalto da incerteza
Proliferando pegadas repetidamente luzes,
Cigarros ecoavam sinais
Embaçando estrelas do céu de minha boca
Num gosto amargo e seco
Aguçando o calor, fogo de isqueiro
Sem força para mais um trago
Sem compaixão, nem desespero
Permanece a noite cega e alusiva
Lúcida como um pássaro sem ninho.
Antropofagia
Eu, ser humano sem conceito
Emaranhado no pensamento
Recuo ao pranto da loucura,
Vida seca na doçura
Como quem procura
A lacuna para se esconder,
Tentando escasso eu me vender
E deixar-me na balança pender
Com esse peso de pré-conceito,
Sem situação e sem direito
Meu refugo de respeito.
Emaranhado no pensamento
Recuo ao pranto da loucura,
Vida seca na doçura
Como quem procura
A lacuna para se esconder,
Tentando escasso eu me vender
E deixar-me na balança pender
Com esse peso de pré-conceito,
Sem situação e sem direito
Meu refugo de respeito.
Leve-nos
Leve-nos a algum lugar,
Onde não tenhamos mais ressaca de saudade
Onde o brilho incessante coma a visão
Encandescente acenda os lábios
Leve-nos às ondas para quebrar-nos
Num golpe d'água de fim de tarde
Onde o breu vem cumprir o assassinato do dia
Levando a nostalgia,
Leve-nos a algum lugar.
Foto-Imagem extraída (Google).
Amaralina vende sonhos
Faço deste cinzeiro de cristal
Meu binóculo noturno
Onde luzes vão se expandindo pela turva neblina da noite
e as ondas se arrebentam
na areia encharcada,
Os guarda-chuvas e pneus
Dançam de um lado para o outro
E com eles,
Levam olhares inocentes
Como o meu ,
Que se perdeu nesse tonto mar.
Meu binóculo noturno
Onde luzes vão se expandindo pela turva neblina da noite
e as ondas se arrebentam
na areia encharcada,
Os guarda-chuvas e pneus
Dançam de um lado para o outro
E com eles,
Levam olhares inocentes
Como o meu ,
Que se perdeu nesse tonto mar.
Mudos
Laçavam-se os gritos
Ao mesmo tempo em que eu me calava
E a chuva fria urrava
Nos quatro cantos mudos,
Mudavam sonhos de lugar
Onde a estrada explodia
A ausência minha alegria
De um copo vazio debruçado
Meu corpo ao canto embriagado se estendia,
Para receber mais uma dose
Da solitária, minha companhia.
Ao mesmo tempo em que eu me calava
E a chuva fria urrava
Nos quatro cantos mudos,
Mudavam sonhos de lugar
Onde a estrada explodia
A ausência minha alegria
De um copo vazio debruçado
Meu corpo ao canto embriagado se estendia,
Para receber mais uma dose
Da solitária, minha companhia.
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