segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Borbulha ou História de pescador


Em meio a fumaça nascia um peixe flutuante
Daqueles bem grandões,
Grande o bastante pra cobrir o teto do quarto
Era ele que cuspia
Bolhas e mais bolhas de sabão
Que estouravam nas pontas
Dos nossos dedos finos.
Esse aquário que a gente mergulhava
Levava-nos ao fundo da penetração consciente,
Ciente estávamos de que a canoa era pequena
Para caber tanta euforia junta,
Foi assim que desaguamos na boca do peixe,
De isca afundamos,
Findamos um laço forte nas escamas
Em camas de conchas
Era uma nova pele que habitava,
Você ainda respira bem?
Porque? Você já quer voltar?
Quero papo de peixe,
Que escapa na bolha, subindo pra margem.
Foi quando ao olhar o copo d'água
Já estava extasiado do gole,
Com as botas úmidas e lamassadas
E na etiqueta da blusa... um anzol,
Pesquei-me.



Foto-Imagem extraída (Google).


domingo, 28 de outubro de 2012

Quero morar em teu vestido




Um sonho?
Morar em baixo do teu vestido,
Vestido pela tua seda
O circo da diversão que afugenta.
Fazer de tuas compridas pernas
Meu balanço,
Sou eu que sopro
E ela voa,
Me extasio no cheiro das flores
Que o enfeitam,
Ah coxas roliças e ásperas,
Cobrir-me-ia dos teus pelos pubianos,
O meu ninho de prazer,
Essa lona de circo sem futuro,
Eu o que seria?
Um palhaço no íntimo,
Onde a gente brinca de amor-cheiroso,
Um pedido? Deixa-me morar
Em teu vestido, enfim
Deixe-me só coçar os dedos dos teus pés.



Foto-Imagem extraída (Google).

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Verso curto sem final no caderninho do vazio




A menina dos cabelos-caracol fugiu
Das páginas do meu caderninho
De anotações, eu
Perdido na poesia da ausência
Apenas cochichava nas orelhas das páginas
Os segredos que tenho dessa moça
Que partiu, dançando nas linhas das folhas
Arrastando seus sapatos de borracha
E deixando apenas os espaços em branco
Que minha caneta só ousou em escrever :
- Espero uma palavra tua, pra enfim... colocar um ponto final



Foto-Imagem extraída (Google).

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Luz(ia) - A menina que se amarrava no sol



Ah Luzia, que saudade tenho de ti
Do cheiro e o brilho que deixou
Na toalha da mesa.
Ainda lembro de sair na porta do fundo
E me deparar contigo... voando, mas que idéia essa!
Uma menina que quer se amarrar ao sol,
Aquele que de longe dá luz ao teu sorriso tímido de menina.
Ah Luzia, minha saudade  se quebrou em cacos de vidro,
Da mesma forma que nasceu o nosso caso, nos cacos.
Agora, só poeira tomou conta do nosso lar,
De tua história e da minha
E as mariposas que te seguiam, caídas no caminho.
Ainda guardo de ti... os sapatinhos amarelos,
Um laço azulado e os botões brancos de teu vestido
Que ainda mofam sobre a mesa,
Ainda posso ver-te com um sorriso tímido lá no alto,
Do sol,
Como eu sei disso ?
Eu tenho um espelho que agarra histórias felizes,
E... Adivinha !



Foto-Imagem Rafa Oliveira (Luz-ia Mar-ia )

domingo, 21 de outubro de 2012

O colecionador de gaiolas vazias - História da prisão de um Amor



Eu ganhei há muito tempo uma gaiola,
Imagine só um menino,
O que faria com uma gaiola vazia ?
Meu tio me disse que a gaiola tinha o poder
De prender um amor...
Quem dera eu, um menino
Prender o amor.

A empolgação tomou conta de mim,
E agora eu queria um amor
Dentro da minha gaiola, cantando.
Coloquei um punhado de alpiste nela,
Pregada ao meu peito,
Quando pisquei um dos olhos, vi sobre o alpiste
Um passarinho lindo, feichei a gaiola
Como um tapa,
E sorri, me matei no gozo de ter conseguido.
Meu coração bateu forte,
Mas será que agora eu descobri um amor ?
Que estranho sentir um arrepio,
Quando ele abria o bico
E cantava com sua voz roquinha.
Um dia desses, senti teu cantar mais baixo
E o passarinho cochichou que queria voar só,
A gaiola ficava pequena ao mesmo tempo
Em que ouvia soar o cantar de sua tristeza.
ABRI A GAIOLA! Meus dedos agora inquietos,
Trançavam-se no ritmo
Que meus lábios mordidos estavam.

Eu pude respirar mais fundo !
Afundou-se !

Agora eu sei deixar a gaiola aberta,
Pra qualquer passarinho enfeitá-la
Aquela que fica pendurada ao meu peito
Rumo ao sol indo embora,
Oh meu passarinho da voz rouca
Se cansou...e partiu...
Apenas o farelo do alpiste soprado
Nem um sorriso que possa ganhar,
Só seu canto ao ouvido zunindo.
É, eu abri a gaiola...
E o passarinho agora canta solto,
Em outros ventos, que sempre foram seus.
Agora sou eu, uma crinça, um colecionador de gaiolas vazias
Com um saquinho de alpiste no bolso da calça
Que caminha querendo voar,
Nesse momento... só o passarinho de voz rouca
É que pode voar.
Eu sorrio para ele... quando posso. 

Foto- imagem extraída (Google). 

sábado, 13 de outubro de 2012

Reflexão do tamanho da Vergonha




Onde está a identidade do meu corpo nú ?
Eu me despia frente a um espelho sujo
De poeira vazia, vazada nas pontas
Eis que afrouxava o elástico e a bermuda cinza,
Como cinza caía, escorrida
Roçando as coxas até os calcanhares sujos.
Onde eu nú, caberia na atmosfera humana ?
Deparo com os pêlos que cobriam
A vergonha da íntima pele,
Você já se tocou hoje ?
Des-cobri a minha timidez entre as nádegas,
E via-me agora, pequeno que era,
Grande dentro do espelho
Do outro lado, mais claro
Que não cabia nem o olho estatalado.
Era reflexo da intimidade, que saía da camisa florada,
Aflorada, aberta... os botões soltos, frente à frente
O corpo ao inverso... em vergonha eu me devoro,
Como (nú)nca.


Foto-imagem extraída (Google).