domingo, 23 de março de 2014

Do semear às mentes sem fertilidade



A praça,
essa acolhedora de desiludidos
recolhe os ventos rebeldes
das ruas vazias.
As árvores estão aqui,
penduradas de cabeça pra baixo
recebendo toda brutalidade
intensa que o sol tem,
transforma o conforto das sombras,
por isso elas são assim, todas tristes...
mas sempre radiantes,
exalando vida,
permanecem com o câncer
das folhas secas,
a perca da memória
que vai com o vento.
Perde o contato dos pés com a terra,
se dissolvem nas outras energias,
param de respirar!








foto-imagem : rafa oliveira.


sábado, 22 de março de 2014

(Re)ciclo das casas - Os tempos mudam



A minha rotina
como a tua
tinha mudado de estação,
o des-conforto
da inquieta alma espelhada
agora era tomada pelo sol intenso
e a noite ventada, dos tapas fortes
de frieza.
"Os tempos mudam"
e a felicidade que tanto esperamos...
nunca chega.
"Os tempos mudam"
e as velhas casas ficaram para trás,
d'onde as teias de aranhas mostravam lembranças.
"Os tempos mudam"
e voltamos ao afugento da saudade.
"Os tempos mudam"
e o presente já é passado
e o passado é mais passado ainda,
o futuro está passando.
Minha rotina
como a tua
foi um punhado de poeira
lançada pro ar,
soprada na ferida
da rotineira mudança.





foto-imagem : rafa oliveira.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Co - lírios _ sentimento dos "olhos vivos"



Palpebras...
palpebras...
as mais sutis coisas pesadas
que modelam as expressões da face
como as areias densas do deserto...
deserto...
talvez essa seja a teorica-mente
vida inútil e vaga,
que passeiam nos pesares das palpebras
palpebras...
palpebras...
moram nos seus involuntários
movimentos da carne trêmula.
desabrocha essa flor seca
das pupilas desgastadas no sono do outro amargo
que os lírios lhe pintam as veias,
nervos pulsantes da sensação
se recuam às asas das palpebras...
Salvem os olhares vivos!







foto-imagem extraída (Google).

quarta-feira, 19 de março de 2014

As ment(iras) que não moram mais nos teus sorrisos



Pairam os sorrisos amordaçados 
pelos dedos macios 
da serena desculpa,
a culpa nos seguiu
até os mesmos caminhos
sem curvas,
talvez as mentiras
sejam nossas únicas verdades do tempo,
perderam-se nas longas
montanhas das sobrancelhas
leves e calmas...
e tudo necessita da calma, do momento,
da inexatidão do sol
ao chegar.







Foto-imagem extraída (Google).