quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Com o peito estufado, foi-se com o vento...



Indomáveis eram
como Arlinda chamava
os sonhos de Afonsinho.
Indomáveis...
que fugiam sempre
quando podiam,
pelos cercados de arame
de teu peito de menino.
Afonsinho tinha o mundo
na sua gaiola
e vivia como um passarinho
sem ninho...
que repousava sempre
na mesma árvore...
com o mesmo sol...
com a  mesma brisa seca que baforava tuas pernas...
tua face desbotada e tuas penas flamejantes.
Arlinda me disse um dia: " ... os sonhos de Afonsinho?
continuam indo amáveis como nunca. Esses dias deu
de dizer que tá aprendendo a voar."






foto-imagem extraída (Google).


quinta-feira, 24 de julho de 2014

Não dito.



O vento ecoa nos auto-falantes
do silêncio ao desespero do ouvinte
e nos vagos dias brancos
seguem rugindo os vãos do espaço,
e na loucura ativada
como um ronco morto e ecoante,
vinha o meu santo
fraco e estendido ao léu,
flutuante anseio do nada...
Dentro para fora,
da insustentável vida
barata e fria.
Era agora, eu
"feito de muro" oco
onde vocês arremessavam
teus corações explosivos
afim de acabarem com
os sonhos rebocados.








foto-imagem extraída (Google).

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Procura-se



Partí o caminho ao meio
eram agora, metades 
de meu orgulho sincero.
Era a velha criança
no corpo da criança velha
a maturidade do tempo
é certeira e cruel no que faz.
Na transcendência que é 
essa busca do que íamos ser, só nos coube
o "éramos".
Estou, cada vez mais, perdendo partes de mim
e recolhendo outras  secas folhas de vida.
éramos...
éramos...
certo poeta disse:
 "Antigamente eu era eterno."








foto-imagem extraída (Google).

sábado, 17 de maio de 2014

Multiverso



Mundo grande,
grande mundo...
Gira aquele imundo
coração torto, nas pálpebras
do santo universo do avesso.
Eu giro na profunda extensão
do teu sol-riso :
nem todos seus raios
chegam a queimar o cosmos...
eu conforto no teu morno jardim
de céus.











foto-imagem extraída (Google).

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Sol frio



As luzes, que vinham
com suas intensidades,
não ultrapassaram o cobertor
denso da tua neblina...
Que os ventos sejam
esses fios trançados
de caminhos
que nos levam pro desnorteio
do pálido sol.
.







foto-imagem extraída (Google).

domingo, 23 de março de 2014

Do semear às mentes sem fertilidade



A praça,
essa acolhedora de desiludidos
recolhe os ventos rebeldes
das ruas vazias.
As árvores estão aqui,
penduradas de cabeça pra baixo
recebendo toda brutalidade
intensa que o sol tem,
transforma o conforto das sombras,
por isso elas são assim, todas tristes...
mas sempre radiantes,
exalando vida,
permanecem com o câncer
das folhas secas,
a perca da memória
que vai com o vento.
Perde o contato dos pés com a terra,
se dissolvem nas outras energias,
param de respirar!








foto-imagem : rafa oliveira.


sábado, 22 de março de 2014

(Re)ciclo das casas - Os tempos mudam



A minha rotina
como a tua
tinha mudado de estação,
o des-conforto
da inquieta alma espelhada
agora era tomada pelo sol intenso
e a noite ventada, dos tapas fortes
de frieza.
"Os tempos mudam"
e a felicidade que tanto esperamos...
nunca chega.
"Os tempos mudam"
e as velhas casas ficaram para trás,
d'onde as teias de aranhas mostravam lembranças.
"Os tempos mudam"
e voltamos ao afugento da saudade.
"Os tempos mudam"
e o presente já é passado
e o passado é mais passado ainda,
o futuro está passando.
Minha rotina
como a tua
foi um punhado de poeira
lançada pro ar,
soprada na ferida
da rotineira mudança.





foto-imagem : rafa oliveira.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Co - lírios _ sentimento dos "olhos vivos"



Palpebras...
palpebras...
as mais sutis coisas pesadas
que modelam as expressões da face
como as areias densas do deserto...
deserto...
talvez essa seja a teorica-mente
vida inútil e vaga,
que passeiam nos pesares das palpebras
palpebras...
palpebras...
moram nos seus involuntários
movimentos da carne trêmula.
desabrocha essa flor seca
das pupilas desgastadas no sono do outro amargo
que os lírios lhe pintam as veias,
nervos pulsantes da sensação
se recuam às asas das palpebras...
Salvem os olhares vivos!







foto-imagem extraída (Google).

quarta-feira, 19 de março de 2014

As ment(iras) que não moram mais nos teus sorrisos



Pairam os sorrisos amordaçados 
pelos dedos macios 
da serena desculpa,
a culpa nos seguiu
até os mesmos caminhos
sem curvas,
talvez as mentiras
sejam nossas únicas verdades do tempo,
perderam-se nas longas
montanhas das sobrancelhas
leves e calmas...
e tudo necessita da calma, do momento,
da inexatidão do sol
ao chegar.







Foto-imagem extraída (Google).

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O desejo e a tempestade de areia





Mergulhava o santo
na areia densa do desejo
e como fratura exposta
queimava por dentro
o teu coração, faiscava
a inquietude do novo tempo,
da nova chama,
que voltava à vida
da brasa semi acesa,
e como um disparo, saía
chorando a alegria nova
dos santíssimos amantes
dos olhos quentes.
Embaixo de seus pés
de gesso oco,
estava o bilhete 
que entregava seu pecado :
- Os cabelos dela eram a minha perdição.





foto-imagem extraída (Google).

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

As dores gris

                  http://img99.imageshack.us/img99/9108/s7305702.jpg

O horizonte
está cada vez mais pálido,
com as veias abertas da anemia,
trazendo de volta
todas aquelas malas
que deixei distante,
junto às gotas frias
da chuva que me furavam
a espinha,
as cores não são tão doloridas,
foram tomadas pela neblina
da despedida
em compaixão aos olhos do
dia chuvoso,
eu me despeço da vida
tão fria... e congelo,
junto ao teu abraço
sem calor.





foto-imagem extraída (Google).

domingo, 5 de janeiro de 2014

Um flash em todas as direções



O teu cometa
atravessou rasgando o céu
naquele feixe de pó de estrelas
no braço direito do universo.

Via-se a infinitude das estradas
estelares, essas morte-e-vida suspensas
no incalculável espaço vão.

De uma ponta a outra
onde tudo nunca começou e
provavelmente nunca terá fim,
como que um flash, passou
as idas e as vidas.

Talvez o conhecimento supremo,
esse delírio lunático,
nos leve ao seu nível de êxtase maior,
ao infinito esquecimento.






foto-imagem extraída (Google).