Momento I
No dia 24 de janeiro de
um ano qualquer
Estava um rapaz sentado
num banco
De uma praça qualquer,
fumando seu cigarro.
Era o moço da barba mau
feita, de boina velha e olhos soltos,
Desgastando-se no seu
cigarro, rememorando as histórias
Dos teus bigodes.
Nessa mesma data de um
ano qualquer
Estava uma moça escorada
numa árvore,
Do lado oposto ao banco
em que o rapaz sentara,
Na mesma praça qualquer.
Era a moça de vestido
florado, com uma sombrinha branca
Colocando-se a observar
o rapaz fumando seu cigarro,
Era a curiosidade
coçando sua orelha.
Naquele dia 24 de
janeiro de um ano qualquer,
Nascia dois amantes de
si mesmos.
A moça aguçada ao vê-lo,
sentou-se do lado do rapaz
E num meio suspiro
perguntou-lhe:
- Quando vai parar de
fumar?
Ao certo não sabia o
porque daquela pergunta inoportuna,
Na oportunidade da frase
solta, disfarçou olhando pro nada,
E na pausa do silêncio
pousando nos ouvidos,
O rapaz deu a última
tragada, e enquanto pisava na bituca
Soltava a fumaça pesada.
Ele, ainda sem olhar
para a moça de vestido florado
Que indisfarçadamente
ainda estava lá,
Acendeu outro cigarro e
respondeu-a :
- Vou parar exatamente
daqui a 27 dias... mais precisamente,
no dia 19 de março desse
ano qualquer... é uma meta!Engraçado perguntar!
Não era pois, uma
promessa a alguém, não era uma obrigação...
Era uma meta!
O rapaz, de meio
sorriso,
Ainda sem olhar a moça
do vestido florado,
Levantou-se e partiu.
A moça olhou apenas o
lugar no banco vaziu,
E deu seu meio suspiro.
Naquele momento nascia a
poesia,
Onde duas solidões se
completavam...
No silêncio das “não-respostas”.
Momento II
No dia 19 de março de um
ano qualquer,
Estava a moça do vestido
florado,
Na mesma praça qualquer,
quando avistou
Aquele mesmo banco
qualquer,
Palco da poesia do
momento à algumas semanas atrás,
E de meio piscar, via o
rapaz da barba mau feita,
Da boina velha e dos
olhos soltos,
Sentando no mesmo banco.
Ainda de relance,
Parecia estar com algo
nos lábios,
Aparentemente o velho
cigarro dos
Momentos solitários...
Era a moça caindo no
pensamento...
Para onde fora a meta
desse rapaz de olhos soltos?
E insdiscretamente aproximou e sentou no mesmo
lado
Do seu banco.
Antes que a moça
iniciasse seu meio suspiro,
O rapaz, suspirou...e
tirou da boca um pirulito
A moça olhando o nada
sentiu o cheiro doce,
E entre-olhando de lado,
deu um sorriso...
O rapaz da barba mau
feita, naquele momento
Num dia de um ano
qualquer,
Tirou do bolso outro
pirulito,
Virou-se, olhou nos
olhos da moça de vestido florado,
Era perceptível seus
olhos também soltos,
Suspirou e pôs a dizer :
- Eu cheguei na minha
meta...
Entregou o pirulito à
moça, virou-se :
- Sua meta agora... é
sentir o doce desse pirulito...
sem lembrar de mim...o
doce momento de nós!
Levantou-se e saiu.
A moça, deu um sorriso
de meia boca.
Alguém, ali perto,
escorado numa árvore
Do lado oposto ao banco,
na mesma praça qualquer,
Achou aquela cena a mais
apaixonante
Dos últimos tempos...
tirou sua câmera e fotografou
O que restou da cena :
Uma moça de vestido
florado, sentada num banco de praça,
com um pirulito na
mão... e um sorriso no canto da boca.
Foto- Imagem extraída (Google).





