segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O sumiço das abelhas


O teu zumbido
tinha ido 
por entre as folhas 
da pitangueira,
e o meu ouvido nesse instante
procurava aquele 
zoom zoom zoom
que me apaixonava tanto.
O meu ouvido ensurdeceu
na partida tua, abelha doce.
A tua falta desperdiça
as flores que não mais
sorriem e expõem as suas cores.
O mal do zumbido
é a surdez.









foto-imagem extraída (Google).

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A janela está aberta



Me pego no teu apego,
nas portas e janelas abertas,
por onde corriam
as crianças em forma de vento.
Maria me disse um dia: 
- O teu abrigo, não nos obriga 
a ficar!
pois que bunito era
passar sempre de frente
da janela, e espiar a saudade,
essa dorzinha prazerosa,
como aquela, que dá nos dedos
dos pés, quando se tira o sapato
apertado,
a vida tem seus tamanhos,
mas a gente se aperta
pra caber.






foto-imagem extraída (Google).

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

De quem planeja imprecisões


Eu quero viver
como quem está morrendo
sem saber.
Me endividar com o tempo
sem previsão de pagamento.
Esbarrar todo dia
com uma outra vida desajeitada.
Talvez seja essa
a verdadeira mágica
da imprecisão :
ajustar os relógios.





foto-imagem extraída (Google).
 
 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Paciente da ausência



A tua presença,
muito mais que a ausência,
é a fonte luminosa
que se abre entre as nuvens
negras que pairam
no céu-da-boca do mundo.
Tu és um tumor nos meus pulmões,
aquela tosse que 
serve de lembrança.
Tu és algo que me rasga
de alegria, dolorida, na navalha
de teus olhos cortantes.
Tu és aquela que tem
os seios que me provocam,
os longos cachos bagunçados.
És a ferida doída e gostosa
que sinto nos dedos dos pés
ao tirar os sapatos apertados,
o acidente por acaso na esquina.
Tu és a doença que eu queria ter,
o remédio que eu tomaria toda manhã.





foto-imagem extraída (Google).

 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

As histórias voam e sopram os ouvidos



Ouvi muitas histórias
de pessoas sentadas ao meu lado
no banco da praça fria,
sem ao menos perceberem
que estavam me contando
seus segredos, seus sonhos,
suas desavenças com a vida.
As vezes me dava à ousadia
de rir de suas palavras sinceras.
Ah como era engraçado a vida
contada!
Mas também há tanta prisão
nessas especulações de que tudo
"um dia irá ser bom".
Foi assim, quando um casal
se sentou ao meu lado
e em seus fortes abraços
e as conversas, que percebi
a tal prisão. No mesmo instante
eu folheava as palavras do poeta
educador, que dizia: 
"...as flores não têm porquês; 
florescem porque florescem. 
Pensei que seria bom 
se também nós fôssemos
como as plantas, que nossas ações 
fossem um puro transbordar de vitalidade, 
uma pura explosão de uma beleza 
que cresceu por dentro 
e não mais por ser guardada. 
Sem razões, por puro prazer."

E tudo anda assim,
precisando flores-ser!




Foto-imagem extraída (Google). 
 
 

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Devaneios de varanda



Permaneci atento pras
minuciosas questões da
filosofia de vida.
O quão grande é uma gota
de uma chuva rala, salpicada
na folha de uma árvore fria e nua,
esperando os que passam...
pra saltarem em nós.
O quanto de afeto nos dá ao ver
passarinhos aplumados nos fios,
enxutos, observando de cima,
reflexos azuis-acinzentados do céu
nas poças de água das ruas.
A vida vem sempre por aqui,
passa sempre por essa rua sem saída
e nos dá aquele ar de :
" poxa, era só isso que eu queria!"
E tá ai.
Bem aventurados sejam os que se perdem
na calmaria de um dia chuvoso,
cor de vida boa.






foto-imagem extraída (Google).

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Ela era uma maçã-verde



A menina era uma maçã-verde,
daquelas que se penduram
no último galho da macieira,
engraçado que não tinha
medo de altura, ou mal sabia
o que a altura significava,
nos tornam mais altas, mais leves, ou mais longe?
era a maçã querendo amadurecer antes mesmo
de aproveitar tudo que podia de sua primeira cor,
verde-paz.
A menina era uma maçã-verde...
que amadurecia como que se tivesse
sendo partida em duas metades,
era agora uma maçã de um vermelho
tão profundo, que vez ou outra 
perdiamo-nos no seu véu cor de sangue-doce.





foto-imagem extraída (Google).

 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Dos acasos de cabelos curtos



O acaso me veio
de cabelos curtos,
tímidos fios negros.
Me esquentava
a companhia doce,
tão doce como um sorriso
de meia-boca,
o acaso me veio
e se foi...
deixando um cheiro bom
e uma saudade
do que ainda estava
por vir.







foto-imagem. desenho : Luma Flôres.