domingo, 24 de novembro de 2013

A incompreensão do silêncio


Ele retrucou sussurrando
no ouvido do espelho :
- O amor nunca há de ser cruel, nós sim,
somos os cruéis!
E isso ecoou durante um instante
muito longo.
E assim éramos... demais pra nós dois!.
Era esse transbordar, o motivo do silêncio
e o que eu apenas queria
era que o meu silêncio fosse compreendido,
muito mais do que falo.
Éramos assim, água e açúcar,
água e óleo,
ora nos dissolvíamos,
ora não nos misturávamos,
a insistência do mergulho
era a crueldade do nosso con-viver,
nada mais cruel que a obrigação do mergulho,
ou o receio de nadar e morrer lá, na ilha, só.
Ser leve, talvez seja, o pesar dos nossos pensamentos,
a campainha que toca a urgência: agora eu preciso!
E disso o amor não é feito, nele não mora o tempo,
desconhece a marcha dos ponteiros..
Talvez seja o amor, um deus fora de tempo,
sem passado, presente, futuro... vive em si!
Se caso eu seja esse "fora de tempo", o que me resta
é sempre empurrar esse engenho da vida, que transforma
a carne dura da cana em suco, doce.
Todo fim devia ser doce,
pra que no recomeço, ainda restasse
aquele adocicado que nos fazia sorrir
sem motivos.
Eu queria que a incompreensão
não morasse em meu silêncio
e que ao escutá-lo ele fosse mais claro,
como o sol que anuncia sua chegada,
tocando uma luz fina nos pés da nossa cama.
Quem cala os ouvidos pro silêncio,
o ouve ainda mais.








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