quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Preguiça de cabelos longos em teu cheiro



Magicamente ou por conta do acaso,
Teus cabelos estendiam-se
Sobre meu lençol morno,
Eram os longos fios que corriam,
Deitavam e rolavam no travesseiro,
Escorriam, como espumas de ondas.
Mergulhava eu, ainda tímido em teu cheiro
Por entre sua cortina,
Ah cheiro, me extasiava em inspirar
A essência de tua nuca fria!
Era minha preguiça de sair
Debaixo de tuas pelugens de moça,
Eram arrepios que davam cócegas na língua,
Ah menina, matava-me em teus cabelos
Em qualquer situação,
Deixava-os pintar meu nariz com este bálsamo,
E no final, um prefixo do olhar,
Encaravamo-nos em dois pares de olhos,
Frente a frente, rente,
A resposta estava ali.


Foto-imagem extraída (Google).

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Bloco dos confetes perdidos



Fantasiando, iam as máscaras
E os sorrisos de purpurina
Pupila dos olhos coloridos.
Pinguei confetes pra clarear
A visão multicor, alegria
Nós desbraçados marchando, o exército
De chapéis mágicos, alucinados, açucarados.
A luz brotava,
Do reflexo dos espelhos
Dente-escancarado,
Eram nós, os bonecos de fitas.
Palhaço-me no avesso, nos passos
Nos olhares enbaralhados de cor,
Cantados de canto,
Foliões, Folheados
Folheando ia, as páginas
Ainda em branco...colo-rindo.


Rio de Contas, 08 Fev.


Foto-Imagem extraída (Google).

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Sobre carnavais e comunhões com os afazeres do tempo



Sentado estava eu,
Nas escadarias frias
Da igreja de pedra-salgada
Debruçava-me à sua entrada
Com as paredes de pedra engolindo
Meu olhar castanho-barro-seco
Via aquilo tudo, velho, erguido na fé
E de instante um anjo beija-flor
Se jogava a brincar com o ar da santa,
Essa cena só me fez sentido ao voltar
A escadaria, olhando o nada, perdido
Na poeira do chão,
Foi olhando pro nada, que do nada
Nasceu uma voz do meu ouvido esquerdo :
- O moço gosta de escrever?
Apenas sorri por instantes bobos,
Acompanhado de um :
- É bom!
Meu riso calou-se cedo,
Logo quando dei-me conta,
De um aglomerado de silêncios
Vindo de encontro à igreja da terra
Salgada,

Era a procissão das cabeças baixas,
Um silêncio gritante,

Apenas se ouvia os passos
Das sandálias arrastadas,
Era a morte desfilando no seu carnaval,
Ela vinha sem máscaras, ou confetes,
Dançava sua marchinha
Silenciosamente, leve, solta
Foi assim, que entrei
Em comunhão com o tempo
E seus afazeres silenciosos.


Rio de Contas 09 fev.


Foto-imagem extraída (Google).

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Combustível do sonho estacionado - Poema por acidente




Na velocidade da imaginação
Corremos no risco, riscando uma luz
Entre o espaço contido na tração
Atraindo um colapso de junção só
Era o impacto vindo do nada, esquerdo
E jogados à esquina do sonho, realmente
No sumo do sobre-viver, era o pára-brisa
Ressaltando a imaginação fugida.
Virava eu, o astronauta no giro
Como a própria força mental inconciente
Girava e girava, alguns segundos repartidos
Em fatias, olhava-nos sem conhecer o próprio
Circulo que traçamos, com o queima-pneu
Marcado no asfalto do peito, batendo
Rebatendo, era um encontro que não tivemos tempo
De marcar, restou o acaso e o momento certo de tocarmos
Nossos lábios de ferro e o corpo quente como um motor,
Nisso tudo... lembrava eu, de um macaco de pelúcia
Solto na cama de alguém, era o momento estático
Os olhos fixos no espelho pequeno do lado de fora,
Sem piscar, como estavam os faróis do teu corpo de metal.
Do que restou, foram migalhas de aço no chão
E uma real ilusão estacionada na esquina.


Foto-imagem extraída (Google).