segunda-feira, 6 de julho de 2015

Por entre os vãos




Os cães tomam as noites
em ecoantes latidos de desejos,
latejam os gemidos selvagens
nos ouvidos atentos no nada,
vãos...
e assim, vão minhas orelhas frias
a escutarem a partida do destemido tempo.
O que me parece é que
sempre que estou chegando
as coisas estão partindo, lentamente,
seguindo os rastros das nuvens sem destino,
mas que pousam em algum lugar, distante e confortante,
como aqueles pensamentos nossos
que se distanciaram das diversas dúvidas
e vieram deitar no nada
e eu fiquei por aqui, mofando os pensamentos
no travesseiro.
O que realmente não se foi,
foram essas janelas gastas,
por onde se assistia a vida chegar...
parar...
partir...
e depois virar vontade.




foto-imagem (rafael oliveira).

domingo, 29 de março de 2015

Depois da esquina



Ela apareceu por entre a fresta,
entre essa cortina de gente
que se esbarra todo dia.
ela viu,
enxergou...
daí nasceram as perguntas!




foto-imagem rafael oliveira.

quinta-feira, 12 de março de 2015

O futuro sempre foi eterno



Noite a dentro, mergulhamos
no vão que se estende entre
a claridade artificial dos postes e a inutilidade
dos nossos pensamentos futuristas,
e nos fazemos astronautas do contra-tempo,
com a espera de desvendarmos 
essa mutação de idéias...
trancados no distante universo do agora!
E assim podemos criar os majestosos museus
dentro das próprias casas... no futuro.
E cá estamos, estacionados nas janelas
assistindo as possibilidades de vida
nessa televisão pulsante e real,
que respira fundo e nos sopra de volta o ar frágil
tomado no nosso meio soluço
e nos deixando um buraco no peito, afim de
jogar na inquietude de nossa profunda-mente.
Vem de lá, ela de mãos dadas com o tempo,
a multidão inexplorável da vida e suas receitas
do futuro sem fim.
Há de sermos derrotados por nós mesmos
e esquecidos dentro da nossa pele.
É necessário entender...
entender o ritmo que nos pertence, que nos toca
e depois de tocado nos deixará de pertencer
antes que o esquecido vire lembrança.
Bom seria entregar-se a arte do descuido
e interromper esse ciclo da angústia.





foto-imagem extraída (Google).