domingo, 17 de março de 2013

Carteiro de uma casa só



Sim, faço-me afoito,
de correr até a tua rua,
tocar a campainha nua,
ver tua pele crua me atender,
nisso, em meio tempo, acender,
um sorriso na caixa de correio,
eu leio essa carta pra ti,
pausando os suspiros,
até porque, ser
um carteiro de uma casa só
é poder re-inventar o dia,
a mesma casa, a mesma
campainha, o mesmo dim-dom,
só a luz de teu sorriso é que nasce
na brecha do portão...sempre diferente.

sábado, 16 de março de 2013

Circo dos bem-vindos ( Meu nariz pintou a moça)



É quando a noite vai caindo,
que vai se levantando a lona,
eu monto o circo...e cerco-te
de alegria, enxugo qualquer
sinal de tristeza e torço o pano
na bacia.
Sou eu, um risonho que doa sonhos
que com a ponta do nariz vermelho,
roçando também o teu, vou colorindo-te
de mim,
palhaço-me pra lhe oferecer um punhado
de luz da noite, cuspo fogo
pra esquentar teu peito, moça.
Enfeito a mim e a ti, sendo um só,
no nosso circo 
que só nasce quando a noite tropeça e cai...
Nós ? levantamos a lua
com gargalhos de criança.





 

quinta-feira, 7 de março de 2013

O barco dos marinheiros flutuantes



São sempre estas,
as madrugadas,
as linhas em que escrevo, torta-mente
em retas...é um rumo que tomo
tal como um barco, na maré
...perdido, que na proa
vem escrito, intitulado :
"o barco dos marinheiros flutuantes".









foto-imagem extraída (Google).

terça-feira, 5 de março de 2013

Pupila



Moça, me desculpe
e compreenda minha sutileza selvagem,
sou eu, um fiel amante de teus seios,
pois sim, são eles...teus verdadeiros olhos,
que vivem vendados pela seda do vestido
ainda tímidos a observar
que delicadamente aflora meu poema
indelicado,
são eles que apontam o olhar
perdido, e assim mesmo perco-me
dias e dias, tal como um suor,
um colírio escorrendo entre eles.
não me entenda mal, Pupila!
quem dera eu,
ver a flor de teus olhos desabrocharem,
sem timidez.










foto-imagem extraída (Google).

 

 

sábado, 2 de março de 2013

Ela deixou escapar uma história do céu da boca



Então me dê
um sorriso frouxo,
desses que você se esquece
que tem, solta esse sol
pendurado no céu da boca,
que ele insiste em nascer.
Deixa, que mais adiante
eu me encarrego, no fim da tarde
de lhe devolver, trazer
o pôr-do-sol.





foto-imagem extraída (Google).

sexta-feira, 1 de março de 2013

É que o bilhete tem sabor



Ela pegou o bilhete
E foi comendo-o,
com leves mordidas,
pedacinhos e pedacinhos,
não comia de uma vez
os versos, comia pausadamente
palavra por palavra, deixava-as
derreter na língua e sentia
cada gosto diferente,
que saltava de teus olhos disparados,
E num disparo chegou-se ao fim,
onde restou uma só palavra : FOME.
Que ela não comeu!




Foto-imagem extraída (Google).