terça-feira, 30 de abril de 2013
Lida de preguiça
Ela folheou o livro
como quem folheia cartas de baralho
e num estalo de conversa
minha sutileza de pedir as coisas,
pedi a ela que lesse-o.
Ela com a preguiça nos olhos,
aqueles, olhos de fogo,
abriu-o onde o destino conspirasse
e leu-o meio acanhada e sem vontade,
eu? tomei um punhado de ouvinte
e a olhava... apaixonado pela cena,
observando igual um menino besta,
e no colar e descolar da boca
vi as linhas dos teus lábios se desenharem
e serem apagadas a cada passar de língua
pra uma tomada de fôlego.
eu? sem fôlego...sorri.
foto-imagem extraída (Google).
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Mente privada
Senhores e senhoras abaixam suas calças,
mostram-se na íntima desproteção,
sentam-se na sua cabeça de privada
injetando no fundo do teu poço, o fim.
A sessão de descarrego dos almas-rasas.
No fim, quando lhe dão a descarga,
eu não tenho tempo de ouvir,
pois meu ouvido não é pinico...
e desiste da sua insistência
em falar merda,
se limpar com a própria língua.
foto-imagem (Google).
domingo, 28 de abril de 2013
O pregador e o varal - Alma lavada
Guarde bem o teu anseio
leve, cheire a flor que tem no seio
que desabrocha, flexa na rocha
que fura o peito nú,
queda na volta, abre e solta
aquele beijo...
Pendure bem aquelas roupas,
prega a dor neste varal,
sopra um vento que enxuga,
qualquer previsão
do tempo que não muda.
Saia que roda, corpo na corda
feito o teu pião
chuva na volta, pára e molha
aquele rosto.
e fura o peito nú
e fura o peito nú.
Peito-de-flor
Eram as moças
e seus vestidos,
seus retalhos
e seus sorrisos.
Em meio a dança
o meu batuque
no teu tambor-peito-de-flor,
o trançar e destrançar
das pernas roliças,
eram elas,
que lançavam sorrisos
com os olhos cheios d'água.
foto-imagem extraída (Google).
Histórias de bancos de praça
Esse é o verso,
nós sentados num banco de praça
era o verso
nós sentados num banco de praça,
era de longe uma pessoa que passa,
era de longe uma pessoa que passa,
olhou-nos e assim pensava :
porque esses dois que tanto se olham
não se beijavam?
era a moça e seu gorro,
era o moço e sua barba,
eu de cá a dar risada,
e cochichando pra pessoa que passa...
Que era com os olhos que ela me beijava.
foto-imagem extraída (Google).
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Sobre árvores e conversas em silêncio
A gente observava as árvores
da praça dos bichos e gente,
e como era de se pensar...
engraçado! Elas já nasceram
desse tamanho? Gigantescas,
de alma e semente.
E elas lá, pensando,
erguidas e com os braços
ao vento, no quanto tempo
que às resta.
foto-imagem extraída (Google).
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Confissão de RG
Sem cartão de visita
sem o tchau da despedida
despe a vida no compasso,
passo...
passa o homem sem identidade
sem papéis, sem idade
com barba, na verdade
d'onde vem suas histórias
onde esconde a vaidade
sem grafia...
vai idade, voe
e volte, solte a liberdade
Era eu sem documento
um momento sem existir
sem um fim,
nem um começo,
um espaço,
entre o homem e sua face,
assinava : "eu sem meu disfarce".
foto-imagem (rafa oliveira).
terça-feira, 23 de abril de 2013
Autópsia de borboleta - Ela quis saber a verdade
Sim, ela pegou o bisturí
rasgou-me do umbigo até o peito nú,
abriu-me no nó, assim, ela
com seus olhos de fogo,
via-me tremer de frio
e meu estômago vomitando borboletas,
estas, que ela mesma tinha colocado dentro de mim,
ainda quando lagartas no casulo...
sem saber.
Foto-imagem extraída (Google).
segunda-feira, 8 de abril de 2013
A taça e o gole de pernas
O dia é um vigia
gozar também é uma poesia
as pernas cruzam
a cintura fria,
os pêlos quentes de alegria
tremiam, gemiam
rangiam os dentes
e línguas molhadas de
contente, entre as pernas
a taça e o brinde.
Foto-imagem extraída (Google).
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