Enquanto a aurora arregaçava meus olhos desbotados
E o espetáculo no picadeiro do céu se iniciava.
Guiava-me nas pontas de meus sapatos
Que ao certo estavam velhos e cansados,
O cheiro de cigarro dormido pousava em meu casaco
E as mariposas tingiam-no de cores opacas,
Aconchegava-me na cama pública dos vagabundos
Onde o céu de nuvens turvas servia-me de cobertor
Agora a cor negra que meus olhos se resumiam a enxergar
Tornara minha inseparável inimiga flutuante.
Um fósforo riscado e o calor satisfeito
Em meio ao náufrago do desespero
Refugiava as brasas semi-caladas,
Por que, senhor?pusera-me a questionar o silêncio,
Eu que brotara do ventre semi-aberto
Órfão de nostalgia, sentia o escarro em minha face
E como um verme sem visão perdia o rumo da vida
Fiz da luz do dia minha bagagem de bolso
Onde o sol não viria mais com seus dentes escancarados
Para acender minha inveja.
E se eu fosse um copo d’água?
Debruçado no chão e minha alma-água esparramasse
Em teu corpo frio de chumbo, evaporando aos céus
Tornando lágrimas de nuvens
Bombardeando os rostos dos descontentes
Saciando a sede de vossos olhos,
Perdera agora a esperança?
Perdera agora a esperança?
Só restou-me apenas um sorriso, um sorriso desnescessário.
Foto-Imagem extraída (Google).
Foto-Imagem extraída (Google).

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