domingo, 21 de novembro de 2010

Bagagem de bolso (Inveja da luz)



    Na madrugada de domingo passageiro
    O vento veio arrastando-me com ele
    Enquanto a aurora arregaçava meus olhos desbotados
    E o espetáculo no picadeiro do céu se iniciava.
    Guiava-me nas pontas de meus sapatos
    Que ao certo estavam velhos e cansados,
    O cheiro de cigarro dormido pousava em meu casaco
    E as mariposas tingiam-no de cores opacas,
    Aconchegava-me na cama pública dos vagabundos
    Onde o céu de nuvens turvas servia-me de cobertor
    Agora a cor negra que meus olhos se resumiam a enxergar
    Tornara minha inseparável inimiga flutuante.
    Um fósforo riscado e o calor satisfeito
    Em meio ao náufrago do desespero
    Refugiava as brasas semi-caladas,
    Por que, senhor?pusera-me a questionar o silêncio,
    Eu que brotara do ventre semi-aberto
    Órfão de nostalgia, sentia o escarro em minha face
    E como um verme sem visão perdia o rumo da vida
    Fiz da luz do dia minha bagagem de bolso
    Onde o sol não viria mais com seus dentes escancarados
    Para acender minha inveja.
    E se eu fosse um copo d’água?
    Debruçado no chão e minha alma-água esparramasse
    Em teu corpo frio de chumbo, evaporando aos céus
    Tornando lágrimas de nuvens
    Bombardeando os rostos dos descontentes
    Saciando a sede de vossos olhos,
    Perdera agora a esperança?
    Perdera agora a esperança?
    Só restou-me apenas um sorriso, um sorriso desnescessário.

    Foto-Imagem extraída (Google).

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