sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Dos momentos - Num ano qualquer nascem os instantes





Momento I

No dia 24 de janeiro de um ano qualquer
Estava um rapaz sentado num banco
De uma praça qualquer, fumando seu cigarro.
Era o moço da barba mau feita, de boina velha e olhos soltos,
Desgastando-se no seu cigarro, rememorando as histórias
Dos teus bigodes.
Nessa mesma data de um ano qualquer
Estava uma moça escorada numa árvore,
Do lado oposto ao banco em que o rapaz sentara,
Na mesma praça qualquer.
Era a moça de vestido florado, com uma sombrinha branca
Colocando-se a observar o rapaz fumando seu cigarro,
Era a curiosidade coçando sua orelha.
Naquele dia 24 de janeiro de um ano qualquer,
Nascia dois amantes de si mesmos.
A moça aguçada ao vê-lo, sentou-se do lado do rapaz
E num meio suspiro perguntou-lhe:
- Quando vai parar de fumar?
Ao certo não sabia o porque daquela pergunta inoportuna,
Na oportunidade da frase solta, disfarçou olhando pro nada,
E na pausa do silêncio pousando nos ouvidos,
O rapaz deu a última tragada, e enquanto pisava na bituca
Soltava a fumaça pesada.
Ele, ainda sem olhar para a moça de vestido florado
Que indisfarçadamente ainda estava lá,
Acendeu outro cigarro e respondeu-a :
- Vou parar exatamente daqui a 27 dias... mais precisamente,
no dia 19 de março desse ano qualquer... é uma meta!Engraçado perguntar!
Não era pois, uma promessa a alguém, não era uma obrigação...
Era uma meta!
O rapaz, de meio sorriso,
Ainda sem olhar a moça do vestido florado,
Levantou-se e partiu.
A moça olhou apenas o lugar no banco vaziu,
E deu seu meio suspiro.
Naquele momento nascia a poesia,
Onde duas solidões se completavam...
No silêncio das “não-respostas”.

Momento II

No dia 19 de março de um ano qualquer,
Estava a moça do vestido florado,
Na mesma praça qualquer, quando avistou
Aquele mesmo banco qualquer,
Palco da poesia do momento à algumas semanas atrás,
E de meio piscar, via o rapaz da barba mau feita,
Da boina velha e dos olhos soltos,
Sentando no mesmo banco.
Ainda de relance,
Parecia estar com algo nos lábios,
Aparentemente o velho cigarro dos
Momentos solitários...
Era a moça caindo no pensamento...
Para onde fora a meta desse rapaz de olhos soltos?
E  insdiscretamente aproximou e sentou no mesmo lado
Do seu banco.
Antes que a moça iniciasse seu meio suspiro,
O rapaz, suspirou...e tirou da boca um pirulito
A moça olhando o nada sentiu o cheiro doce,
E entre-olhando de lado, deu um sorriso...
O rapaz da barba mau feita, naquele momento
Num dia de um ano qualquer,
Tirou do bolso outro pirulito,
Virou-se, olhou nos olhos da moça de vestido florado,
Era perceptível seus olhos também soltos,
Suspirou e pôs a dizer :
- Eu cheguei na minha meta...
Entregou o pirulito à moça, virou-se :
- Sua meta agora... é sentir o doce desse pirulito...
sem lembrar de mim...o doce momento de nós!
Levantou-se e saiu.
A moça, deu um sorriso de meia boca.
Alguém, ali perto, escorado numa árvore
Do lado oposto ao banco, na mesma praça qualquer,
Achou aquela cena a mais apaixonante
Dos últimos tempos... tirou sua câmera e fotografou
O que restou da cena :
Uma moça de vestido florado, sentada num banco de praça,
com um pirulito na mão... e um sorriso no canto da boca.






Foto- Imagem extraída (Google).

                                                     

Nenhum comentário:

Postar um comentário