Eu ganhei há muito tempo uma gaiola,
Imagine só um menino,
O que faria com uma gaiola vazia ?
Meu tio me disse que a gaiola tinha o poder
De prender um amor...
Quem dera eu, um menino
Prender o amor.
A empolgação tomou conta de mim,
E agora eu queria um amor
Dentro da minha gaiola, cantando.
Coloquei um punhado de alpiste nela,
Pregada ao meu peito,
Quando pisquei um dos olhos, vi sobre o alpiste
Um passarinho lindo, feichei a gaiola
Como um tapa,
E sorri, me matei no gozo de ter conseguido.
Meu coração bateu forte,
Mas será que agora eu descobri um amor ?
Que estranho sentir um arrepio,
Quando ele abria o bico
E cantava com sua voz roquinha.
Um dia desses, senti teu cantar mais baixo
E o passarinho cochichou que queria voar só,
A gaiola ficava pequena ao mesmo tempo
Em que ouvia soar o cantar de sua tristeza.
ABRI A GAIOLA! Meus dedos agora inquietos,
Trançavam-se no ritmo
Que meus lábios mordidos estavam.
Eu pude respirar mais fundo !
Afundou-se !
Agora eu sei deixar a gaiola aberta,
Pra qualquer passarinho enfeitá-la
Aquela que fica pendurada ao meu peito
Rumo ao sol indo embora,
Oh meu passarinho da voz rouca
Se cansou...e partiu...
Apenas o farelo do alpiste soprado
Nem um sorriso que possa ganhar,
Só seu canto ao ouvido zunindo.
É, eu abri a gaiola...
E o passarinho agora canta solto,
Em outros ventos, que sempre foram seus.
Agora sou eu, uma crinça, um colecionador de gaiolas vazias
Com um saquinho de alpiste no bolso da calça
Que caminha querendo voar,
Nesse momento... só o passarinho de voz rouca
É que pode voar.
Eu sorrio para ele... quando posso.
Foto- imagem extraída (Google).
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