segunda-feira, 6 de julho de 2015

Por entre os vãos




Os cães tomam as noites
em ecoantes latidos de desejos,
latejam os gemidos selvagens
nos ouvidos atentos no nada,
vãos...
e assim, vão minhas orelhas frias
a escutarem a partida do destemido tempo.
O que me parece é que
sempre que estou chegando
as coisas estão partindo, lentamente,
seguindo os rastros das nuvens sem destino,
mas que pousam em algum lugar, distante e confortante,
como aqueles pensamentos nossos
que se distanciaram das diversas dúvidas
e vieram deitar no nada
e eu fiquei por aqui, mofando os pensamentos
no travesseiro.
O que realmente não se foi,
foram essas janelas gastas,
por onde se assistia a vida chegar...
parar...
partir...
e depois virar vontade.




foto-imagem (rafael oliveira).

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