sábado, 16 de fevereiro de 2013

Sobre carnavais e comunhões com os afazeres do tempo



Sentado estava eu,
Nas escadarias frias
Da igreja de pedra-salgada
Debruçava-me à sua entrada
Com as paredes de pedra engolindo
Meu olhar castanho-barro-seco
Via aquilo tudo, velho, erguido na fé
E de instante um anjo beija-flor
Se jogava a brincar com o ar da santa,
Essa cena só me fez sentido ao voltar
A escadaria, olhando o nada, perdido
Na poeira do chão,
Foi olhando pro nada, que do nada
Nasceu uma voz do meu ouvido esquerdo :
- O moço gosta de escrever?
Apenas sorri por instantes bobos,
Acompanhado de um :
- É bom!
Meu riso calou-se cedo,
Logo quando dei-me conta,
De um aglomerado de silêncios
Vindo de encontro à igreja da terra
Salgada,

Era a procissão das cabeças baixas,
Um silêncio gritante,

Apenas se ouvia os passos
Das sandálias arrastadas,
Era a morte desfilando no seu carnaval,
Ela vinha sem máscaras, ou confetes,
Dançava sua marchinha
Silenciosamente, leve, solta
Foi assim, que entrei
Em comunhão com o tempo
E seus afazeres silenciosos.


Rio de Contas 09 fev.


Foto-imagem extraída (Google).

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